segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Sermão: Cristo nos Chama a Prestarmos mais Atenção a Palavra Ouvida


Texto: Hebreus 2.1-4

Amada Igreja do Senhor Jesus Cristo!

O apóstolo Paulo diz que: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Timóteo 3.16-17). Esta palavra que temos em nossas mãos (a Bíblia) é a palavra de Deus. Foi o próprio Deus que a inspirou e deu a sua Igreja. Esta palavra é viva e eficaz. Ela produz vidas (homens e mulheres) para Cristo. Ela conduz o homem até Deus. Ela capacita o homem a toda boa obra. Foi esta palavra que nos regenerou em novas criaturas. Devemos desejar esta palavra em nossas vidas. Porque ela é o nosso alimento espiritual. Ela é quem nos ensina a vontade de Deus em nossas vidas. Por isso é necessário prestarmos atenção a palavra de Deus. Por isso quero pregar sobre a importância de nos apegar com mais firmeza a palavra de Deus.
Quero pregar no seguinte tema:

Tema: Cristo Nos Chama a Prestarmos mais Atenção a Palavra Ouvida
1. A Fim de Que Jamais Nos Desviemos dela
2. Porque Deus Castiga a Indisposição Para Ouvi-la

1. A Fim de Que Jamais Nos Desviemos dela.

Amados irmãos, com frequência nos Evangelhos nós lemos sobre o Senhor Jesus Cristo exortando os seus discípulos a prestarem atenção ao que Ele está ensinando. Ele não está ensinando ensinos de homens, mas a Palavra de Deus. Porque a Palavra de Deus trata da vida e da morte dos homens. Porque ela ensina ao homem o caminho de volta para Deus. Não é por acaso que Paulo proclama em Romanos 1.16-17 dizendo: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé”. Ele sabe muito bem que esta palavra que ele pregava e que estamos ouvindo e que nós hoje temos em nossas mãos é o poder de Deus para a salvação de todos aqueles que creem no Evangelho. Ela é poderosa porque ela é a palavra do próprio Autor da vida. É no Evangelho que nós encontramos a justiça de Deus para nossa vida. A Sua justiça é revelada aos homens no Seu Evangelho. Pois Seu evangelho fala de Cristo! Cristo é a justiça de Deus! Ele morreu para cumprir a justiça de Deus em nosso lugar. Assim Ele nos justificou perante Deus e não seremos mais condenados. Porque Jesus Cristo cumpriu a justiça de Deus em nosso lugar. Esta é a verdade do Evangelho de Jesus Cristo. E é esta verdade que o Senhor Jesus está nos exortando a nos agarrarmos com muito mais firmeza. Como Hebreus 2.1 diz: “Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos”.
Mas, por que Jesus nos chama a nos apegarmos com mais firmeza às verdades ouvidas? Que verdades são estas que Ele está falando? Ele está falando das verdades que foram faladas no início desta carta aos Hebreus. A carta começa falando que Jesus Cristo é superior aos anjos. Ele é o unigênito do Pai. Ele é aquele que está com o Pai. Que está sentado a direita de Deus Pai e tudo governa em Seu nome. Enquanto os anjos são apenas mensageiros de Deus para levarem a sua mensagem aos homens, Ele é o Filho Unigênito do Pai. Porque quando prestamos bastante atenção as Sagradas Escrituras, vemos que ela testifica de Jesus Cristo. Ela fala de Jesus Cristo desde Gênesis a Apocalipse. É a esta palavra, que está em nossas mãos e que constantemente ouvimos a pregação dela, que devemos nos apegar com bastante firmeza. É necessário prestar mais atenção ainda ao que ouvimos. Porque o que está em jogo é a vida e a morte. As Sagradas Escrituras, a Palavra de Deus, nos mostram a verdade. Ensinam-nos o caminho que leva ao Pai. O verso 3 diz: “como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?”. Nós não podemos desprezar tão grande salvação que nos foi anunciada. Esta palavra deve estar sempre em nosso coração. Deve fazer parte de nossa vida. Porque nós ouvimos que esta salvação foi anunciada desde que o homem caiu em pecado. Naquele momento Deus anunciou um Salvador para o homem caído. Esta salvação foi simbolizada na salvação de Noé, e sua família, do dilúvio. Foi confirmada na aliança com Abraão e seus descendentes quando o SENHOR disse que seria o seu Deus. Salvação esta que foi profetizada pelos profetas do Antigo Testamento. O Messias foi anunciado e esperado pelo povo. Porque Ele salvaria o Seu povo de seus pecados. Esta salvação se cumpriu no nascimento, vida, sofrimento, crucificação, morte, ressurreição, ascensão e entronização de Jesus Cristo. Ele próprio é a salvação que a Bíblia fala de Gênesis a Apocalipse. Esta salvação foi testemunhada pelos apóstolos de Jesus. E foi confirmada na vida dos crentes. Quando alguém se converte de seus pecados é uma prova de que a salvação de Cristo é uma realidade na vida daquela pessoa. Isto significa que a salvação é sentida e confirmada pela maneira que o convertido vive. Mas se existe uma pessoa que se diz crente e não se preocupa em viver e agradar a Cristo EM TUDO o que faz; significa que ela não está dando a mínima para o que Cristo fala e fez. Ou até pior: pode significar que tal pessoa nunca foi crente.
Quando não há crescimento espiritual na vida do crente... é porque ele está desprezando a Cristo. Quando não enxergamos uma conduta cristã na vida dessas pessoas... significa que estão profanando o nome de Cristo. Quando uma pessoa que se diz cristã e não sabe controlar o que sai da sua boca; saindo apenas fofoca, soltando palavrões; mentindo, causando divisão na igreja; passando por cima das coisas que Deus proibiu... não posso afirmar que essa pessoa tenha o Espírito de Cristo. Nem muito menos que seja um crente. Não vejo nela um cristão redimido no sangue de Cristo. Mas vejo um descrente, um ímpio dizendo SER ELE um filho de Deus; quando na verdade é um filho do diabo. Sabe por quê? Porque NÃO HÁ VIDA cristã! Não há comunhão com Cristo. Não há vida em Cristo. Se estas coisas básicas faltam na vida de alguém que se diz crente significa que ela nunca foi crente. Nunca foi regenerada pelo Espírito Santo. Nunca sentiu no seu coração o amor de Deus. Porque este amor vem de Deus. Porque quem sente o amor em seu coração é alguém que foi transformado pelo poder que vem do alto; pelo poder do Espírito Santo. Essa pessoa morreu para o pecado e nasceu para Cristo. E este nascimento vemos na vida cristã que ele leva no dia-a-dia. Como Jesus disse, e lemos em Mateus 7.16: “Pelos seus frutos os conhecereis”. Você é crente? Mostre os seus frutos de amor; mostre os seus frutos de gratidão; mostre seus frutos de vida cristã; mostre seus frutos de nova criatura semelhante a seu Senhor Jesus Cristo. Ame a Palavra da verdade. A Palavra que pode dar vida. Não menospreze o ensino de Cristo. Por isso ele está dizendo: “Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos”.
Há uma diferença enorme entre OUVIR e ESCUTAR. Porque OUVIR é apenas ouvir sons que acontecem ao nosso redor e não damos atenção. Por exemplo: um pai pode falar algo ao seu filho. Contudo, ele apenas ouve, mas não escuta e não há nenhuma reação da parte do filho. Porque ESCUTAR significa prestar profunda atenção aos sons que entram no ouvido e então aquilo que ouvimos vai causar uma ação em nossa vida. Então, o autor aos Hebreus quer dizer que devemos – vocês e eu – prestarmos mais atenção ao que escutamos. Não apenas o que estamos ouvindo agora, mas o que já temos ouvido acerca de Cristo até agora. Literalmente o verso pode ser traduzido da seguinte forma: “Por isto nos é necessário prestar mais atenção ainda ao que ouvimos, a fim de que jamais nos desviemos”. É necessário prestar mais atenção ao que ouvimos. Estas verdades ouvidas com atenção e meditadas com amor devem causar uma ação positiva em nossa vida. Essa ação é obediência a Cristo; amor as suas ordens.
Os crentes para quem essa carta foi escrita estavam correndo o risco de não dar a atenção devida às verdades ouvidas em suas vidas. Estavam correndo o risco de desprezarem a palavra de Deus ouvida em suas vidas. Porque esse é um perigo que nós corremos. Podemos cair no risco de não vivermos e nem praticarmos aquilo que constantemente ouvimos. Achando que não tem importância em nossas vidas. As palavras ouvidas podem cair em desusos. Por isso somos exortados a prestar mais atenção às verdades ouvidas. Pois Moisés ensinou ao povo de Israel seu credo que dizia: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Deuteronômio 6.4) e o resumo dos Dez Mandamentos: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força” (Deuteronômio 6.5). Ele instruiu o povo a imprimir as palavras do credo e a lei para suas crianças, a falar delas constantemente, a atá-las nas mãos e na testa, e a escrevê-las nas casas e nos portões. Moisés ensinou a importância de dar atenção à palavra por causa do perigo de se desviar dos caminhos do Senhor. E a história do povo de Israel é um constante desvio dos caminhos do Senhor. Constantemente nós vemos Israel se desviando do Senhor para servir a ídolos; a querer viver de forma desregrada; sem compromisso; sem amor; sem vida espiritual. Tornando-se um povo morto espiritualmente perante o Senhor. Sendo castigado duramente pelo Senhor por causa do seu pecado. Uma multidão morre no deserto; outra morre no país de Canaã por não seguirem os princípios de vida segundo a vontade de Deus; outros foram levados para o cativeiro para morrerem. E por que Israel sempre se desviou dos caminhos do Senhor? Porque não deu a devida atenção as palavras ouvidas durante toda a sua vida. Preferiu não ligar para as palavras do Senhor. Por isso Israel sempre foi um povo rebelde ao Senhor Deus. E agora Jesus Cristo está nos alertando a não cairmos no mesmo erro de Israel. Por isso Ele está dizendo: “Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos”.
Se não dermos atenção as verdades ouvidas, nos desviaremos. Seremos como a palha seca lançada ao vento. Seremos como a onda do mar impelida pelo vento. Se não nos apegarmos à palavra de Deus, não viveremos para Ele. Mas nos desviaremos por qualquer motivo banal. Nunca colocaremos Deus em primeiro lugar. Nunca cresceremos em vida. Nunca saberemos a importância real das coisas sagradas. Nunca saberemos a importância de adorar a Deus em espírito e em verdade. Porque nunca nos apegamos com firmeza as verdades ouvidas. Devemos ter fome desta palavra que produz vida. Devemos amá-la e desejá-la. Um povo que conhece a Deus é um povo que se agarra a sua palavra. Que separa tempo para estudá-la. Porque ele quer conhecer ainda mais o seu Deus e sua vontade. Ele quer ser parecido com seu Senhor Jesus, Aquele que se entregou na cruz para salvá-lo. Por causa disto ele quer se apegar a sua palavra. Ele quer descobrir qual a melhor maneira de viver para seu amado Senhor. Nem vai se desviar dos seus caminhos. Mas vai permanecer firme até o final. Vai rejeitar o que o mundo oferece. Não vai sentir prazer nas coisas mundanas. Não será atraído pelas artimanhas de Satanás. Mas permanecerá firme no Senhor.

Cristo Nos Chama a Prestarmos mais Atenção a Palavra Ouvida
2. Porque Deus Castiga a Indisposição Para Ouvi-la

Irmãos, o verso 2 diz: “Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos”. Esta palavra falada pelos anjos, que fala o autor aos Hebreus, se refere a lei de Deus dada a Moisés por intermédio de anjos. Os anjos são os mensageiros de Deus. Eles entregaram a vontade de Deus revelada nos dez mandamentos. Estes Dez Mandamentos são as palavras da aliança de Deus com seu povo. Esta palavra que os israelitas receberam é a própria palavra de Deus. Por isso os israelitas deveriam guardar as palavras da lei do SENHOR. Era uma prova do amor do povo a Deus. Enquanto o povo vivia em obediência Deus abençoaria todo o Israel. Era uma prova de amor e gratidão do povo pelo seu Senhor amado. Porém, quando o povo não dava ouvido aos mandamentos do Senhor, era castigado severamente. Nós vemos isso constantemente na história de Israel. Como a palavra de Deus foi confirmada severamente na vida do povo. Tanto para o bem como para o mal do povo. Quando não havia obediência Deus castigava. Como diz o verso 2: “e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo”. Todo pecado cometido contra a palavra de Deus recebeu justo castigo. Todos que ousaram viver longe da palavra de Deus e de suas leis foram castigados. Como o texto diz: “recebeu justo castigo”. O descrente ou aquele que se diz crente, prestará conta de sua vida de pecado. Porém, o autor aos Hebreus aqui está falando para crentes, membros do povo de Deus. Membros da aliança com o Senhor Deus. Por isso ele diz para aqueles crentes, exortando-os: “Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram”.
A salvação que nós ouvimos foi anunciada, o texto diz, primeiramente pelo nosso Senhor Jesus. Isto não quer dizer que Deus no Antigo Testamento não tenha revelado a respeito dessa salvação. No Antigo Testamento eram apenas mensageiros que anunciavam a salvação. Mas quando o Senhor Jesus Cristo se encarnou, Ele mesmo que é o autor da salvação começou a anunciar a salvação do domínio do pecado e do diabo. Ele próprio veio e anunciou aos homens. Ele ensinou que foi enviado exclusivamente para morrer pelo seu povo amado. Que iria morrer para dá vida a muitos. Tudo isto Ele fez na cruz. Tudo Ele fez em nosso lugar. Ele nos salvou da ira de Deus nos reconciliando com o Pai. Nos salvando da maldição eterna. Esta salvação deve ser levada a sério em nossas vidas. Porque Jesus Cristo foi morto para nos dar vida. Devemos nos agarrar a salvação de Cristo. Por isso, não devemos negligenciar tão grande salvação. Não devemos desprezar a palavra de salvação de Jesus Cristo. O texto diz: “como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?”.
Quem aqui negligencia a salvação de Cristo? Quem aqui despreza essa salvação que é dada de graça? Quem aqui despreza a salvação vivendo para o diabo? No verso 2 diz: “e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo”. A palavra desobediência significa muito mais que apenas cometer um pecado grave. Mas tem haver com o coração. Pois esta palavra também pode ser traduzida como “indisposição”. O verso pode ser traduzido literalmente desta forma: “e toda transgressão ou indisposição recebeu merecida punição”. O que isso significa? Significa que pecamos contra Deus quando estamos indispostos para ouvir a sua palavra. Toda vez que entramos por aquela porta (de entrada do templo) e não estamos com disposição para ouvir a palavra de Deus, estamos em pecado contra Jesus Cristo. Estamos negligenciando não dando atenção a palavra de Deus. Quando não chegamos com o coração disposto para ouvir a palavra de Deus, pecamos contra ela porque não estamos dispostos para ouvi-la.
Porque o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. O evangelho está apontando o caminho da salvação de Deus. Deus mostra a sua graça no evangelho em conceder a salvação a pecadores indignos como você e eu. Deus é tão misericordioso e nós tão indignos de recebermos esta graça de Deus. A proclamação da palavra de Deus abre o reino dos céus indica onde o homem pode encontrar salvação. Sãos as boas novas do Evangelho que Deus dirige a todos os homens. Este Evangelho é poderoso para a salvação de todos os homens. Porque ele é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.
É na pregação do Evangelho que podemos ver claramente a justiça de Deus. Para nos salvar Ele, Jesus, não deixou de cumprir a sua lei. Esta lei santa que exige a morte do pecador. Porque o pecador não pode cumprir o que a lei exige. Deus cumpriu o que Ele próprio estipulou na lei. E é aí que vemos a justiça de Deus. A justiça de Deus é o Senhor Jesus Cristo. Ele é o cumprimento da lei. Ele cumpriu a justiça de Deus. Assim Deus não deixou de cumprir a sua lei. Mas cumpriu MATANDO o seu próprio Filho amado na cruz. É para este sacrifício que a pregação do evangelho aponta. O sacrifício de Jesus Cristo satisfazendo a lei de Deus. A pregação do Evangelho indica que há perdão no sangue de Cristo. O Evangelho chama o pecador para Cristo. Exige fé neste sacrifico. Deus no evangelho está abrindo o reino dos céus para o pecador. Ele está oferecendo perdão dos pecados. Mas é exigido do pecador arrependimento para remissão dos pecados. Deus no seu Evangelho está oferecendo remissão completa dos pecados. Mas quando não estamos dispostos para ouvir esta palavra pecamos contra Deus. Se não temos disposição para sempre ler, estudar e ouvir esta palavra, estamos pecando seriamente contra Deus. Se vivemos desprezando a salvação de Cristo, como escaparemos do seu castigo? Como fugiremos da Sua ira? Não escaparemos de tal castigo. Se no Antigo Testamento a rebeldia e a indisposição para ouvir foram castigadas severamente, quanto mais agora. Por isso você é chamado a prestar atenção a Palavra de Deus. Você é chamado a estar disposto a escutar e viver tal Palavra.
Porque ‘cada vez que alguém sai de um culto sem se arrepender; cada vez que alguém continua rebelde contra Deus após as exortações dos presbíteros, podemos ver Jesus usando a Espada da Palavra para a condenação e a morte dos rebeldes’.
Agora ‘Cada vez que alguém sai de um culto edificado, com o forte desejo de viver uma vida de gratidão e santidade; a cada vez que alguém se arrepende dos seus pecados e busca a graça de Deus, podemos ver Jesus usando a Espada da Palavra para a salvação de Seus escolhidos’.
Nós somos chamados a nos apegar com firmeza a palavra de Deus para não nos desviar dela e para que estejamos firmes para sempre ouvi-la e obedecê-la.
Amém.
Sermão preparado pelo Pr. Alexandrino Moura sobre Hebreus 2.1-4.
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Hebreus
2.1 Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos.
2.2 Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo,
2.3 como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;
2.4 dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A Tríplice Aplicação do Sexto Mandamento

[1]Texto: Dia do Senhor 40
[2]Texto: Êxodo 20.13; Levítico 19.16-18


Amados irmãos no Senhor Jesus,


O Brasil não vive um estado de guerra, de conflitos civis, raciais e religiosos. Mas, os índices de homicídios no Brasil são espantosos. De 1980 a 2010 produzimos mais de um milhão de homicídios. Somente em 2010 foram registrados 50.000 assassinatos. A média de homicídios no Brasil superou a média mundial dos 12 maiores conflitos armados, que aconteceram entre 2004 e 2007. Em 2012 o número de homicídios tem baixado um pouco, mas ainda é muito alto (26,9 mortos por 100 mil habitantes). O número “aceitável” pela Organização das Nações Unidas (ONU) são 10 por 100 mil habitantes. Nessa estatística de homicídios não se inclui os suicídios, abortos, nem os acidentes de transito provocados por imprudência e nem as mortes produzidas por negligências no sistema de saúde. O Brasil é um país violento, uma fábrica de cadáveres, um país cheios de homicidas.
São tantos homicídios que o povo brasileiro está insensível para o assassinato. Mas, diante dos homicídios e da banalização da vida, temos a Lei de Deus que nos diz: “não matarás”. Nesse mandamento, O SENHOR Deus nos revela o seu amor pela vida. Ele nos ensina como devemos honrar o dom da vida. (Sendo assim,) chamo todos a ouvirem a pregação da doutrina do Senhor no seguinte tema:

O SENHOR da vida nos exige o respeito à vida: Esse respeito começa no coração.

Amados irmãos e irmãs, Deus é vida. A vida se origina nEle. A vida é um dom de Deus. Ele deu vida a Sua criação. Por isso, Deus ama a vida.
Agora, a vida do homem tem um valor especial para Deus. Por quê? Porque o homem é a coroa da criação. O homem é a imagem e semelhança de Deus. Por isso, Deus requer o devido respeito à vida de nosso próximo. Deus assim dá as bases do sexto mandamento.
O sexto mandamento fala contra o assassinato, o homicídio. Deus não aceita o homicídio. A proibição é clara: Não devo assassinar o meu próximo.
Agora, olhando a Escritura o sexto mandamento é mais profundo e amplo. Por exemplo, o sexto mandamento determinou a arquitetura das casas (veja Deuteronômio 22.8). A construção do parapeito era para proteger a vida. Os construtores deveriam ser prevenidos e não negligentes. Senão, seriam culpados pela morte da vítima da negligência deles. Deus proíbe em Deuteronômio 22.8 a negligência que leve a morte do meu próximo. Essa proibição é baseada no sexto mandamento.
O sexto mandamento regula a minha língua. Veja Levítico 19.16: “Não andarás como mexeriqueiro; não atentarás contra a vida do teu próximo.” A palavra “mexeriqueiro” fala do fofoqueiro, do leva e traz, do difamador, detrator, da falsa testemunha. A língua mata também. Ela tem veneno mortal. Por isso, Tiago diz: “De uma só boca procede bênção e maldição ...” (Tiago 3.10). O v. 16 diz que a minha língua não pode se levantar para matar o meu próximo. Especialmente, diante de um tribunal. O mandamento sexto é também a base desse mandamento.
O sexto mandamento regula meus sentimentos nas relações com meu próximo. Nas minhas relações devo condenar a ira, o ódio, o desejo de vingança, o rancor escondido e a inveja. Por quê? Porque A ira, o ódio, o desejo de vingança e a inveja são as raízes do homicídio. O primeiro homicídio foi feito por Caim (Gênesis 4.1-7). Caim se irou grandemente contra seu irmão Abel. Se irar é ser tomado de raiva, enfurecer-se, indignar-se. É o contrario de ter misericórdia, ser paciente, de ser sereno, de ser favorável ao próximo. Caim se irou e matou seu irmão. A ira gerou o homicídio. Deus condena também o ódio. O que é sentir ódio? Ódio é mais forte que ira. Odiar é aborrecer, detestar, ter rancor, antipatia, inimizar-se, opor-se, não corresponder. É ter alguém como seu inimigo (a palavra hebraica “odiar” tem a mesma raiz da palavra inimigo). O contrário de odiar é amar (Levítico 19.17): “Não aborrecerás (não odiarás) teu irmão no teu íntimo; mas repreenderás o teu próximo e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado.” Não devo detestar, antipatizar, ter como inimigo nenhum de meus irmãos. Pelo contrário, se alguém pecou contra mim, então, devo ir e tratar o problema como o meu ofensor. Exatamente, como Jesus ensinou em Mateus 18.
Deus também condena o desejo de vingança e o rancor escondido no coração. Vejamos Levítico 19.18: “Não te vingarás (descontar, tirar a forra, fazer justiça com as próprias mãos), nem guardarás ira (guardar rancor) contra os filhos do teu povo; mas, amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor”.
Vocês acham que esses são novos mandamentos? Claro que não. Esses mandamentos têm a ver com o sexto mandamento. Temos essa conclusão, especialmente, ouvindo o ensino de Jesus e do apóstolo João. Jesus ensinou o sexto mandamento (Mateus 5.21,22). Jesus disse que aquele que se ira injustamente contra seu irmão, que insulta e detrai o seu irmão quebra o sexto mandamento. Jesus disse que ira, insultos e detração fazem o homem digno de condenação eterna. O apóstolo João disse também (1 João 3.15): “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si”.
Amados irmãos e irmãs, notem os textos lidos. Quando Deus proíbe o homicídio, Ele também proíbe a ira, o ódio, o desejo de vingança, a inveja. O SENHOR Deus considera homicídio a ira injusta, o ódio, o desejo de vingança, o rancor no coração. Para Deus esses sentimentos são as raízes da árvore que produz o homicídio. Portanto, o “não matarás” é muito mais que não assassinar.
O nosso catecismo segue o ensino da Escritura. Na P e R 105 temos o que o mandamento proíbe, ou seja, o que não devemos fazer. Na P e R 106 confessamos que Deus condena as raízes do homicídio (veja P e R 106). Por fim, o catecismo diz o nosso dever de amor segundo o sexto mandamento (veja P e R 107): “amar o nosso próximo como a nós mesmos, a demonstrar paciência, paz, mansidão, misericórdia e amizade para com ele, a protegê-lo do mal o tanto que pudermos e a fazer o bem até mesmo aos nossos inimigos”. No Dia do Senhor 40 temos o resumo do ensino bíblico sobre o sexto mandamento.
O sexto mandamento revela a fonte do homicídio. A origem do homicídio não está na sociedade, não está na falta de educação, ou, na pobreza; nem na cor da pele. A origem do homicídio está no coração do homem caído. Jesus disse (Marcos 7.21): “Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios”. Está escrito também que as obras da carne, da velha natureza, são (Gálatas 5.20) “... inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, facções, invejas”. De onde vêm os homicídios? O homicídio vem de natureza corrompida do homem. O homem é um homicida desde o ventre. O homem caído faz parte da gangue do grande homicida, o diabo. O diabo foi o primeiro homicida. Caim assassinou Abel, pois era do Maligno.
Concluindo:
Amados irmãos e irmãs, o sexto mandamento nos leva a vermos a graça de Deus em Cristo, pois pergunto:
Segundo a Lei de Deus, quem pode dizer que cumpre o sexto mandamento? A Lei cala nossas bocas. A doutrina e a experiência mostram que somos assassinos diante de Deus (Romanos 3.9-20). Em verdade, por comissão ou omissão, temos quebrado o sexto mandamento. Então, nenhum de nós poderia escapar da pena de morte.
Não falo da pena de morte que o estado tem o direito e dever bíblico de aplicar (confessamos isso na R 105). A pena de morte que falo é o inferno eterno. O inferno está reservado para os homicidas, os iracundos, os detratores, os odientos, os vingativos, os amargurados.
Mas, onde está a nossa esperança e felicidade eternas? Em Cristo Jesus somente.
Se não fosse Jesus Cristo todos nós estaríamos perdidos. A vida e a morte de Jesus cumpriu o sexto mandamento. Jesus somente fez o bem ao próximo. Jesus foi agredido, mas não revidou com agressão. Quando detratado não detratou. Jesus sofreu como um cordeiro mudo na mão de seus tosquiadores. Jesus deu a Sua vida em nosso favor. O dar a vida em favor de outra pessoa é a maior prova de amor. Jesus deu sua vida por nós.
Jesus morreu em nosso lugar e por nossos pecados. Jesus ressuscitou para nossa justiça. Os nossos homicídios foram perdoados pelo sangue de Cristo. A obediência e justiça de Cristo são nossas através da fé no Evangelho. Somos aceitos por Deus por causa de Cristo Jesus somente. Assim, podemos ter o consolo da salvação, estar no culto e podemos amar nosso próximo. Pois, Jesus cumpriu perfeitamente o sexto mandamento: Jesus se deu por nós. Somos salvos nEle.
O Catecismo nos ensina as exigências no mandamento nos ensina a vida de gratidão. O ensino da lei está na parte do catecismo que trata de nossa gratidão pela salvação. O evangelho diz (1 João 3.16-19): “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos. Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, nas de fato e de verdade”. Corações gratos a Deus não se fecham para a necessidade de seus irmãos. Corações gratos a Deus mostram disposição para doar o bem mais precioso do homem, a própria vida. Quando buscamos cumprir o sexto mandamento, então, nos são confirmadas a nossa eleição, a nossa fé em Cristo; e, o mundo pode ver o amor de Cristo por nós.
O ensino do sexto mandamento nos esclarece qual a maior necessidade do Brasil. Pergunto: O que precisa para abominar o homicídio?
O Brasil precisa do SENHOR Jesus Cristo. Cada brasileiro e brasileira precisa de um novo coração. Enquanto Cristo não reinar no coração de cada brasileiro e brasileira, então, iremos de mal a pior. Por isso, como igreja, devemos orar e trabalhar para que o Evangelho alcance mais vidas no Brasil.
O Brasil precisa muito mais do Evangelho que da pena de morte. A pena de morte é um dever do estado. A pena de morte refreia o homicídio grosseiro e faz justiça. Mas, a pena de morte não muda corações. Quem muda corações é Cristo Jesus. Somente Ele nos concede corações novos. Jesus faz pelo poder do Espírito e de Sua Palavra essa operação cardíaca. O Evangelho é o poder de Deus para mudar vidas e nações inteiras.
Portanto, se desejamos um país que abomine o homicídio, que respeite a vida conforme a vontade de Deus, então, nós devemos investir tempo na oração e recursos na evangelização do Brasil. O respeito à vida começa no coração. Somente corações transformados pelo evangelho podem amar a Deus e amar o próximo. Somente corações regenerados por Cristo buscam, pela graça de Deus, respeitar a vida. Amém.

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre a doutrina bíblica ensinada no Dia do Senhor 40.




[1] Catecismo de Heidelberg

 

Dia do Senhor 40

 

P.105. O que exige Deus no sexto mandamento?
R. Que eu não devo desonrar, odiar, injuriar nem matar o meu próximo por pensamentos, palavras, ou gestos e muito menos por ações, por mim mesmo ou através de outros;1 antes, devo fazer morrer todo desejo de vingança.2 Além disso, não devo me fazer mal nem me expor levianamente ao perigo.3 Por isso também o governo empunha a espada para impedir homicídios.4
1. Gn 9.6; Lv 19.17, 18; Mt 5.21, 22; 26.52. 2. Pv 25.21, 22; Mt 18.35; Rm 12.19; Ef 4.26. 3. Mt 4.7; 26.52; Rm 13.11-14. 4. Gn 9.6; Ex 21.14; Rm 13.4.
P.106. Mas, esse mandamento fala somente de matar?
R. Ao nos proibir de matar Deus nos ensina que detesta a raiz do homicídio, a saber: a inveja, o ódio, a ira e o desejo de vingança1 e que Ele considera tudo isso como homicídio.2
1. Pv 14.30; Rm 1.29; 12.19; Gl 5.19-21; Tg 1.20; 1Jo 2.9-11. 2. 1Jo 3.15. 84.
P.107. Então, basta que não matemos o nosso próximo dessa maneira? 
R. Não. Deus ao condenar a inveja, o ódio, a ira e o desejo de vingança nos ordena a amar os nossos inimigos como a nós mesmos,1 a demonstrar paciência, paz, mansidão, misericórdia e amizade para com ele,2 a protegê-lo do mal o tanto que pudermos e a fa- zer o bem até mesmo aos nossos inimigos.3
1. Mt 7.12; 22.39; Rm 12.10. 2. Mt 5.5; Lc 6.36; Rm 12.10, 18; Gl 6.1, 2; Ef 4.2; Cl 3.12; 1Pe 3.8. 3. Ex 23.4, 5; Mt 5.44, 45; Rm 12.20.

http://igrejasreformadasdobrasil.org/index.php/catecismo-de-heidelberg
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[2]  Êxodo 20.13: ”Não matarás.”;
 Levítico 19.16-18:
19.16   Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o SENHOR.
19.17   Não aborrecerás teu irmão no teu íntimo; mas repreenderás o teu próximo e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado.
19.18   Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR.”

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

5º Mandamento - A Honra Devida aos Pais e Superiores


[1]Texto: Dia do Senhor 39
[2]Leitura: Êxodo 20.12

Amados irmãos e irmãs,

Nós testemunhamos um tempo de crise. A crise na Europa é um exemplo desse tempo crítico. Os meios de comunicação mostram pessoas revoltadas contra seus governos e indo às ruas para agredir às autoridades. Vejam também as ações, de sindicatos e de ditos movimentos sociais, que promovem greves que prejudicam a nação, que fecham estradas, que queimam pneus, que prejudicam o Brasil. Os revoltados, de fora e de dentro do Brasil, acusam às autoridades por serem injustas (em certos casos a acusação pode ser verdadeira). Os revoltados partem para enfrentar as autoridades, a fim de garantirem seus direitos. As palavras de ordem dos revoltados tem sido “direitos”, “queremos respeito”, “não aceitamos isso ou aquilo”. Então, como nós, cristãos, em tempo de crise, podemos julgar as atitudes “revolucionárias”? Qual a base de nossos julgamentos? Qual deve ser nossa atitude cristã diante de autoridades injustas?
As crises sempre estiveram presentes na história da humanidade. A época da reforma foi um tempo de crise também. As autoridades praticaram muitas injustiças contra crentes que abraçaram a fé reformada. Muitos crentes tiveram seus bens e títulos confiscados, foram perseguidos, outros aprisionados e mortos pelas autoridades romanistas. Ocorreram também muitas revoluções promovidas pelos anabatistas. Então, a reforma foi também um tempo de crise, de abuso de autoridade e de insubmissão às autoridades instituídas. Mas, qual foi o ensino reformado para orientar os crentes no tempo de crise? Será que a doutrina reformada ensinara a revolução, o desrespeito contra as autoridades instituídas? O que eles ensinaram sobre o quinto mandamento da Lei de Deus?
Essas perguntas servem para introduzir a mensagem de Deus para nós hoje. A mensagem é a seguinte:

Honremos a todos aqueles que Deus colocou sobre nós.

Amados irmãos e irmãs, o mandamento do SENHOR é (Êx 20.12): “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá”. A palavra “honra” se direciona ao indivíduo. Não se refere honrar coisas, mas se refere honrar pessoas. As pessoas valem mais que coisas. As pessoas é quem devem ser honradas.
O que é honrar?
Honrar é mais do que obedecer. Honrar significa considerar, estimar, enobrecer, dar importância a pessoa. Sendo assim, a explicação sobre o que é honrar nos lembra o amor. O amor nos leva a honrar. Quem honra de verdade, ama de verdade.
Agora, a quem devo honrar?
O mandamento, direta e primeiramente, fala da honra ao pai e a mãe:  “Honra teu pai e tua mãe ...”. Então, dentre os homens, nossos pais são os primeiros dignos de honra. Porém, segundo a Escritura, os termos “pai” e “mãe” são usados também para os profetas, professores e regentes do povo de Deus. Por exemplo, José disse a seus irmãos (Gn 45.8): “Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito”. José disse que Deus lhe colocou como pai de Faraó. José não foi pai biológico de Faraó? Não. Deus colocou José como autoridade para guiar Faraó e governar a terra do Egito. Outro exemplo bíblico. Débora, cantou dizendo (Jz 5.7): “Ficaram desertas as aldeias em Israel, repousaram, até que eu, Débora, me levantei, levantei-me por mãe de Israel”. Débora disse que era mãe de Israel. Mas, ela não gerou todos os israelitas. Ela foi “mãe de Israel” porque Deus deu a ela autoridade sobre Seu povo. Débora era profetiza e juíza sobre Israel. No Novo Testamento os apóstolos instruíram às igrejas como pais instruem a seus filhinhos (Gl 4.19; 1 Jo 2.1,2). Então, a Escritura usa as palavras “pai” e “mãe” também para designar as autoridades que Deus colocou sobre nós: em nossas casas, na igreja e no Estado. O quinto mandamento também fala do nosso dever de honrar papai e mamãe, mas também todos aqueles que Deus colocou sobre nós, ou seja, os nossos superiores.
Vemos que o Catecismo segue a Escritura quando ensina o quinto mandamento (veja R. 104): “que eu demonstre toda honra, amor e fidelidade a meu pai e à minha mãe, e a todos os meus superiores; que eu me submeta a boa instrução e disciplina vinda deles e que também seja paciente com as suas fraquezas e defeitos”. O Catecismo coloca, de modo bíblico, a exigência e abrangência do mandamento: devo honrar nosso pai, nossa mãe e nossos superiores.
O Catecismo ensina também a base do motivo de honrarmos nossos pais e superiores (veja a parte final da R. 104): “... pois é a vontade de Deus nos governar pelas mãos deles”.  A vontade de Deus deve ser o motivo para honrar os nossos superiores. O apóstolo falou aos filhos (Ef 6.1): “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo”. A palavra diz “é justo”, ou seja, agrada a Deus pois é a vontade de Deus.
O SENHOR Deus se agrada quando honramos aos nossos superiores em casa, na igreja e no Estado. Pois, quando fazemos isso estamos honrando a Deus. Como assim? Pergunto: Quem é a autoridade suprema do universo? O SENHOR. Quem é a fonte de toda autoridade? O SENHOR. Quem colocou papai, mamãe, o seu esposo (no caso das irmãs casadas), os oficiais da igreja e as autoridades sobre você? O SENHOR. Todos os meus superiores são servos do SENHOR. Quando honro os servos, honro o SENHOR dos servos. Deus exerce seu governo sobre nós, por meio dos nossos superiores.
Nós precisamos aceitar e confessar que nenhuma autoridade sobe ao poder se não for pela ação de Deus, pois está escrito (Rm 13.1,2): “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas”. O SENHOR é a fonte de toda autoridade. Deus colocou os nossos superiores sobre nós. Os nossos pais, nossos oficiais e as autoridades do Estado são ministros de Deus. Por isso, como diz o catecismo, “é a vontade de Deus nos governar pelas mãos deles”. Por isso, como diz o Catecismo: “que eu demonstre toda honra, amor e fidelidade a meu pai e à minha mãe, e a todos os meus superiores; que eu me submeta a boa instrução e disciplina vinda deles e que também seja paciente com as suas fraquezas e defeitos”.
Em tempos de crise o mundo despreza, desrespeita, não mostra amor e nem paciência para nossos superiores. Mas, nós não somos do mundo. Somos filhos de Deus de pela fé em Cristo Jesus.
Nós temos um salvador que nos salvou das consequências de nossa rebeldia contra Deus. Nós temos um salvador que nos concedeu um novo coração, uma nova natureza, cujo o desejo é cumprir a vontade de Deus! Nós temos um salvador que cumpriu perfeitamente o quinto mandamento, para que nós, por gratidão e pela graça de Deus, demonstremos: “toda honra, amor, fidelidade, submissão e paciência para com todos os meus superiores”.
Você quando for tentado contra o quinto mandamento se lembre de Seu salvador Jesus Cristo. Nosso Senhor, apesar de ser Deus todo-poderoso e homem sem pecado, Ele se submeteu aos seus pais pecadores (Lc 2.48-52). Jesus ensinou a honra ao imperador romano. Ele disse (Mt 22.21): “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Jesus, sendo inocente, se colocou debaixo do julgamento de Pôncio Pilatos, dizendo (Jo 19.11): “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem.” Jesus cumpriu toda lei. O quinto mandamento foi perfeitamente cumprido por Ele.
Foi a obediência perfeita de Cristo que nos garante a nossa salvação em graça. Foi a obediência de Cristo que levou Ele até a maldita cruz. Assim, Jesus tomou nosso lugar debaixo da ira de Deus, tomando a nossa culpa pela quebra de todos os mandamentos de Deus. Ele morreu por todos os pecados que nós cometemos contra o quinto e demais mandamentos. Jesus Cristo ressuscitou para nos dar a certeza que nossos pecados foram perdoados.
Por que Jesus cumpriu o quinto mandamento até a morte de cruz e para nossa justificação? Por que Ele amou a Deus perfeitamente! Ele honrou o Pai perfeitamente! Jesus fez isso pois nos amou perfeitamente! Agora, essa obediência de Cristo e a justiça de Cristo, é nossa justiça. Quando cremos no Evangelho, então, somos declarados justos. Somos, em Cristo, recebidos por Deus como se tivéssemos cumprido perfeitamente o quinto mandamento.
Então, que nos resta como justos diante de Deus?
Mostrar nossa gratidão a Deus, honrarmos nossos deveres em nossos ofícios. A autoridade maior e principal, Aquele que, acima de todos, deve ser obedecido no quinto mandamento é Deus. Ele é nosso Pai Celestial em Cristo. Então, todos nós devemos cumprir nossos ofícios de pai e mãe, de oficial e de autoridade instituída por Deus. Como? Não abusando da autoridade que Deus nos deu, instruindo e ajudando nossos subordinados a cumprirem também seus ofícios para com Deus. Assim os superiores obedecem o quinto mandamento também.
Resta-nos também mostrarmos nossa gratidão, mostrando toda honra, amor, fidelidade, submissão e paciência para com todos os nossos superiores. Mostrar honra não somente a alguns superiores, mas a todos. Não posso escolher que autoridades merecem minha honra, mas todos os meus superiores. Se os meus pais são bons ou ruins, se meus oficiais são firmes ou fracos, se minha presidente é comunista ou não. O mandamento nos exige honrarmos quem recebeu de Deus a autoridade para nos comandar: comandar minha casa, comandar a igreja e a sociedade.
Resta-nos pedir sabedoria ao Espírito de Cristo obedecendo Deus acima das autoridades. Isso significa que somente devo ser submisso “as boas instrução e disciplina” dos meus superiores. Deus não nos obriga obedecer tudo que as autoridades dizem. Nossa obediência é limitada pela Escritura. Somente devo obedecer ao que as autoridades dizem conforme a Palavra de Deus. Devo me submeter à disciplina deles quando a disciplina é conforme a Palavra de Deus. Pois, “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29). Precisamos orar para discernirmos como aplicar essa verdade.
Resta-nos, fazendo o nosso dever para com nossos superiores, viver desfrutando da bênção. Que bênção? A bênção da promessa que o quinto mandamento tem. A promessa é: “... para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá”. Essa promessa é um estímulo para os filhos e os que estão debaixo de autoridade. Eles, caso honrem todos os seus superiores, terão vida longa na terra. Terão uma vida de bênção. Isso é o evangelho da graça de Deus. O Deus que coroa a sua graça nos recompensando com presentes quando nós obedecemos a ele.
Amados irmãos e irmãos, por gratidão a Deus e pela graça de Cristo, temos tudo para honrarmos todos os nossos superiores. Temos a salvação, temos o Espírito Santo e a obra dEle e da Sua palavra em nós, temos uma promessa estimuladora. Então, cumpramos nosso dever de amor: Honremos a todos aqueles que Deus colocou sobre nós. Amém

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre a doutrina bíblica ensinada no Dia do Senhor 39.



[1] Catecismo de Heidelberg (1563)

Dia do Senhor 39
104. O que Deus exige no quinto mandamento?
R. Devo prestar toda honra, amor e fidelidade a meu pai e a minha mãe e a todos os meus superiores; devo submeter-me à sua boa instrução e disciplina com a devida obediência (1) , e também ter paciência com seus defeitos (2) ; porque Deus nos quer governar pelas mãos deles (3).
(1) Êx 21:17; Pv 1:8; Pv 4:1; Pv 15:20; Pv 20:20; Rm 13:1; Ef 5:22; Ef 6:1,2,5; Cl 3:18,20,22. (2) Pv 23:22; 1Pe 2:18. (3) Mt 22:21; Rm 13:2,4; Ef 6:4; Cl 3:20.
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[2]  
Êxodo 20.12:  “ Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Objetivo de Nossas Orações


O Objetivo de Nossas Orações

“Quando orarmos pelas coisas pertinentes a esta vida, devemos desejar o que é temporal com finalidades espirituais; como auxiliares na nossa jornada para o céu. Se oramos por saúde, deve ser para que melhoremos o talento da saúde para a glória de Deus, para estar mais aptos para o seu serviço... se devemos orar pelas boas coisas temporais, quanto mais pelas espirituais? Se devemos orar pelo pão, quanto mais pelo pão da vida? Se oramos para que a nossa fome seja saciada, quanto mais devíamos orar pela salvação da nossa alma.... Anelemos, pois, pelas misericórdias espirituais”.
                                                                                  Thomas Watson (1620 - 1686) 

domingo, 7 de outubro de 2012

O 4º Mandamento - Dia do Senhor: Santidade de Domingo a Domingo.


[1]Texto: Dia do Senhor 38
[2]Leitura: Salmo 92; Levítico 23.3


Amada congregação do Senhor Jesus,  

Se nós podemos resumir o livro de Levítico em uma mensagem, então, essa mensagem seria (Levítico 11.45): “Portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo”. Dentre todo gênero humano Deus separou um povo especial para Ele. O desejo de Deus é que Seu povo viva como santos no mundo. Pois, a vida santa do povo revela ao mundo a santidade de Deus. Então, quando lemos Levítico 23.3 devemos lembrar-nos dessa mensagem: “Sede santos, porque eu sou santo”.
O SENHOR tem uma aliança de graça com Seu povo. Essa aliança tem mandamentos. Um desses mandamentos, o quarto, estabelece que devemos separar um tempo especial para nosso descanso e para a adoração ao nome do SENHOR. Por isso, para vivermos como povo santo de Deus hoje, nós precisamos aprender mais sobre a vontade de Deus revelada no quarto mandamento. Sendo assim, trago a doutrina do Senhor no seguinte tema:

O desejo do Senhor é que Seu povo santo obedeça ao quarto mandamento

O SENHOR Deus estabeleceu uma semana com sete dias. Esses sete dias foram dados para o bem dos homens. Contudo, O SENHOR em Levítico 23.3 disse à Sua igreja: “Seis dias trabalhareis...”. Essa frase nos lembra o quarto mandamento. Como povo santo do Senhor nós temos seis dias para trabalhar. O SENHOR Deus trabalhou seis dias. Toda criação foi terminada em seis dias. Com base nisso, então, Deus quer que o homem trabalhe somente seis dias.  Agora, a semana tem sete dias. Então, resta-nos um dia em nossa semana. O que Deus estabeleceu para esse dia? O texto diz: “mas o sétimo será o sábado do descanso solene, santa convocação, nenhuma obra fareis; é sábado do SENHOR em todas as vossas moradas”.
O texto nos mostra que o desejo de Deus é que houvesse um descanso solene no sábado. Agora, os crentes não deviam ficar em casa no sábado. Eles não dormiriam até tarde, ficando na cama gostosa, depois de uma semana de duro trabalho. Os crentes também deveriam se apresentar diante de Deus. O sábado era uma santa convocação. Toda família ia para o culto, de manhã cedo e no final da tarde (Êxodo 29.38-42; Números 28.2-8). Era uma verdadeira festa semanal de final de semana (veja Levítico 23.1,2). Por isso, no Salmo 92, o salmista disse (Salmo 92.1,2): “Bom é render graças ao SENHOR e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo, anunciar de manhã a tua misericórdia e, durante as noites, a tua fidelidade”. O Salmo 92 é o cântico para o dia de sábado. O povo de Deus, de manhã e de noite (final da tarde) ia para o culto. Quando juntamos o Salmo 92 com Levítico 23.3, então, vemos como a igreja obedeceu particular e publicamente o quarto mandamento.
Imagine o sábado nos dias da Antiga Aliança: Nenhum membro da igreja deveria ficar em casa, nem nos seus trabalhos. O comércio fecharia o agricultor não plantaria e nem colheria, os artesões cessariam seus trabalhos, as mulheres teriam folgas na cozinha. Os senhores e os escravos, os seres humanos e os animais, os homens e as mulheres, todos deveriam parar de trabalhar. O povo de Deus deveria cessar de buscar seus interesses particulares. Toda igreja deveria atender ao descanso solene. Toda igreja deveria comparecer no culto, na presença de Deus. Chegou o dia de descanso (a palavra sábado significa cessar, descanso).
O nosso Catecismo fala do nosso dever particular e público para guardamos o quarto mandamento (veja a primeira parte da P e R 103). Na primeira parte somos instruídos do nosso dever particular de manter o ministério do Evangelho e as escolas. O ministério do Evangelho se refere ao ministério da Palavra e dos sacramentos. As escolas se referem às instituições que formam os pastores e mestres da igreja.
Agora, quando vamos ao Antigo Testamento, então, entendemos bem as bases do ensino do catecismo. No Antigo Testamento a pregação estava nos sacrifícios, nas cerimônias e nas instruções da lei. Os pregadores no culto eram os sacerdotes. Então, especialmente no sábado, Deus usava a pregação e os pregadores para ensinar Seu povo a ser santo.
Agora, de onde vinha a manutenção da pregação e dos pregadores?
O SENHOR Deus estabeleceu que o povo devesse sustentar a pregação e os pregadores. O povo devia separar o melhor, as primícias, das bênçãos que recebiam do SENHOR, para que fosse mantido o ministério do Evangelho. Essas ofertas deviam ser levadas pelo povo para a casa do SENHOR (Êxodo 23.19; Deuteronômio 26.2,10; Salmo 50). No sábado esse dever era dobrado, pois as ofertas deviam ser dobradas (Números 28.9,10). Sendo assim, o sustento ao ministério do evangelho e aos sacerdotes tinha a ver com o quarto mandamento também.  No Novo Testamento esse dever não mudou (Mateus 10.10; 1ª Coríntios 9.1-7; Gálatas 6.6; 1 Timóteo 5.17,18). Sendo assim, não é estranho o Catecismo colocar, no ensino sobre o quarto mandamento, o nosso dever de sustentar o ministério do Evangelho e as escolas. Pois, Deus estabeleceu que sem o ministério do Evangelho e sem pregadores não pode haver igreja, não há culto, não há o dia do Senhor. Então, hoje, a obediência ao quarto mandamento põe sobre a igreja o dever de sustentar o ministério do Evangelho e as escolas cristãs.
O Catecismo coloca também nosso dever publico de ir à igreja (veja a continuação da primeira parte da R 103). A palavra “igreja” se refere ao lugar onde os santos se reúnem para cultuar a Deus. A minha casa não é o lugar onde devo estar, enquanto a igreja está congregada! É meu dever como cristão me dirigir onde Deus está sendo adorado em Espírito e em verdade.
O Catecismo ressalta um dia especial para nos congregarmos com nossos irmãos. Devo ir à igreja “... especialmente no dia de descanso...”. Sabemos que o sábado judeu encontrou seu fim em Cristo. O sábado do sétimo dia apontava para Jesus Cristo que é o Senhor do Sábado. Em Cristo fomos feitos novas criaturas. Cristo nos resgatou do domínio do pecado e do diabo. Em Cristo temos a revelação do Deus criador e redentor. Em Cristo temos o nosso sábado, nosso descanso, pois, o jugo dEle é suave e o fardo dEle é leve. Mas, apesar de Cristo ter abolido o sétimo dia para ser o dia de descanso, ainda hoje os cristãos tem um novo dia especial. O sábado na Nova Aliança é o domingo (dominicus – Dia do Senhor). De Cristo a igreja recebeu o domingo e há dois mil anos ela mantém esse dia como o Dia do Senhor (Apocalipse 1.10).
No Catecismo aprendemos que o mandamento nos ensina a, especialmente no dia de descanso, sermos diligentes para irmos à igreja. Ser diligente é ser zeloso, ativo, esforçado. Essa diligência em ir à igreja de Deus é para ouvirmos à Palavra de Deus, participar dos sacramentos, para invocarmos publicamente ao Senhor e para socorrermos os necessitados com nossas ofertas. Esta é uma clara instrução sobre como santificar nossas vidas, obedecendo o quarto mandamento. Essa obediência na vida particular e na vida pública.
Na segunda parte da R 103 temos um aspecto muito importante sobre a guarda do quarto mandamento (veja): “segundo, para que em todos os dias da minha vida eu cesse as minhas más obras, deixe o Senhor operar em mim por Seu Espírito Santo, e assim começar nesta vida o descanso eterno”. A guarda do quarto mandamento não se limita ao dia de descanso. Todos os dias, de domingo a domingo, devo parar com tudo que entristece a Deus.  Devo desistir de todos os meus pecados. De domingo a domingo devo deixar que o SENHOR opere em mim por Seu Espírito Santo.
O povo de Israel se esqueceu desse aspecto do quarto mandamento. O povo ia ao culto do sábado com muitas ofertas até, mas durante os seis dias da semana estava diligente em uma vida pecaminosa, aborrecendo a disciplina do Senhor, se associando a ladrões, a adúlteros, com as línguas cheias de fofoca e difamação contra seus irmãos (veja por exemplo o Salmo 50.16-20). Essa vida ativa no pecado fez Deus abominar os sábados do Seu povo (Isaias 1.13). O mandamento de Deus para o povo foi (Is 1.16,17): “lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal”.
Amados irmãos e irmãs, se não desisto da minha relação com a fofoca, com a malícia, com a maldade, com a intriga, com a impureza sexual, ou seja, com meus pecados, então, até meu culto de domingo é uma abominação ao Senhor. Isso aconteceu com os sábados de Israel. Por isso, pare para pensar no quarto mandamento. O SENHOR Deus quer que você viva como santo, pois, Ele é santo. Jesus morreu por você. O sangue dEle foi derramado para purificar e santificar você de todo pecado. Você faz parte do povo Santo do SENHOR. Então, tem mais motivos e poder do Espírito para viver como membro do santo povo de Deus. Viva como santo. Não somente vindo aos cultos. Mas, de domingo a domingo, sendo grato a Deus, buscando uma vida de santidade, cessando de fazer o mal, se colocando debaixo do Espírito Santo, deixando Deus operar em você! Quando nessa vida temos uma vida que desiste do pecado e é dominada pelo Senhor, então, como diz o Catecismo, começamos a provar o descanso eterno. Esse descanso eterno, como nos ensina Hb 4, é uma realidade futura que Cristo conquistou para Sua igreja. Esse descanso eterno é reservado para aqueles que confiam somente em Jesus Cristo; e, por gratidão e verdadeira fé, buscam ser santos no SENHOR.
Amados irmãos e irmãs, sendo assim, por amor a Deus e gratidão pela salvação que temos em Cristo, vivamos como santos no mundo. Esse é o nosso chamado, pois, o nosso Deus Salvador é santo. Portanto, em Cristo, cumpramos o desejo de nosso Pai Celestial: obedeçamos ao quarto mandamento em nossa vida particular, em nossa vida pública, na esperança do descanso eterno, em Cristo Jesus. Amém.
Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre a doutrina do Senhor ensinada no Catecismo de Heidelberg Dia do Senhor 38.




[1] O Catecismo de Heidelberg

Dia do Senhor 38

P.103. O que exige Deus no quarto mandamento?

R. Primeiro, que o ministério do evangelho e as escolas cristãs sejam mantidas1 e que eu, especialmente no dia de descanso, seja diligente em ir à igreja de Deus2 para ouvir à Palavra de Deus,3 participar dos sacramentos,4 para invocar publicamente ao Senhor 5 e para praticar a caridade cristã para com os necessitados.
6 Segundo, para que em todos os dias da minha vida eu cesse as minhas más obras, deixe o Senhor operar em mim por Seu Espírito Santo, e assim começar nesta vida o descanso eterno.7

1. Dt 6.4-9; 20-25; 1Co 9.13, 14; 2Tm 2.2; 3.13-17; Tt 1.5. 2. Dt 12.5-12; Sl 40.9, 10; 68.26; At 2.42-47; Hb 10.23-25. 3. Rm 10.14-17; 1Co 14.26-33; 1Tm 4.13. 4. 1Co 11.23, 24. 5. Cl 3.16; 1Tm 2.1. 6. Sl 50.14; 1Co 16.2; 2Co 8; 9. 7. Is 66.23; Hb 4.9-11.

[2] Salmos
92.1   [Salmo. Cântico para o dia de sábado] Bom é render graças ao SENHOR e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo,
92.2   anunciar de manhã a tua misericórdia e, durante as noites, a tua fidelidade,
92.3   com instrumentos de dez cordas, com saltério e com a solenidade da harpa.
92.4   Pois me alegraste, SENHOR, com os teus feitos; exultarei nas obras das tuas mãos.
92.5   Quão grandes, SENHOR, são as tuas obras! Os teus pensamentos, que profundos!
92.6   O inepto não compreende, e o estulto não percebe isto:
92.7   ainda que os ímpios brotam como a erva, e florescem todos os que praticam a iniqüidade, nada obstante, serão destruídos para sempre;
92.8   tu, porém, SENHOR, és o Altíssimo eternamente.
92.9   Eis que os teus inimigos, SENHOR, eis que os teus inimigos perecerão; serão dispersos todos os que praticam a iniqüidade.
92.10   Porém tu exaltas o meu poder como o do boi selvagem; derramas sobre mim o óleo fresco.
92.11   Os meus olhos vêem com alegria os inimigos que me espreitam, e os meus ouvidos se satisfazem em ouvir dos malfeitores que contra mim se levantam.
92.12   O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano.
92.13   Plantados na Casa do SENHOR, florescerão nos átrios do nosso Deus.
92.14   Na velhice darão ainda frutos, serão cheios de seiva e de verdor,
92.15   para anunciar que o SENHOR é reto. Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça.

Levítico
23.3   Seis dias trabalhareis, mas o sétimo será o sábado do descanso solene, santa convocação; nenhuma obra fareis; é sábado do SENHOR em todas as vossas moradas.