domingo, 18 de novembro de 2012

10º Mandamento - O Coração da Lei: Deus quer ganhar o nosso coração, e quer que aprendamos a amá-lo e a amar o nosso próximo.


                                                                                                                    
[1]Texto: Dia do Senhor 44
[2]Leitura: Mateus 5: 21-30


Irmãos,


Hoje chegamos ao coração da lei do Senhor. O décimo mandamento é o coração da lei de Deus. Aqui Deus deixa bem claro o que Ele realmente quer: o nosso coração.
A lei de Deus não é só um livrinho cheio das regras para cumprir e mais nada.
Não, Deus quer mais. Deus quer ganhar o nosso coração com a lei dele.
Deus quer que nós aprendamos a amá-lo e a amar o nosso próximo.
E amar é uma coisa que nós fazemos com o nosso coração e não só com a nossa cabeça.
Há pessoas que fazem isso só com a cabeça deles. Eles têm uma boa memória e podem bem gravar as regras, que estão escritas. Não matarás, não adulterarás, não furtarás, etc. Eles conhecem as regras muitas bem e eles estão cumprindo todas estas regras formalmente, mas não cordialmente. Eles estão cumprindo a lei contra a vontade deles. Muitas pessoas vivem assim. E nenhum policial pode reclamar sobre isso. Se eu quiser matar uma pessoa, mas não fizer o juiz não tem nada para me julgar; Se um homem está olhando com desejo para minha mulher, só olhando, eu não posso fazer nada. Posso suspeitar daquele homem, mas não posso acusá-lo. Ele logo vai dizer: eu não FIZ nada.  É uma coisa igual quando uma pessoa está olhando e admirando o seu carro novo. Você pode pensar: ele quer roubar o meu carro. Mas se você for para a justiça dizendo: aquele homem quer roubar o meu carro. Ele logo vai dizer: o que? Eu não FIZ nada. Eu só olhei. Tenho a liberdade para olhar, não tenho? Sim, tem! Na nossa sociedade uma pessoa pode DESEJAR qualquer coisa sem problemas. A lei não proíbe isso. A lei só proíbe as ações ilegais, mas não os pensamentos ilegais. Só quando o juiz puder provar que uma pessoa já tinha um plano antes, ele pode julgar isso. Às vezes isso acontece com um assassino. Uma pessoa pode assassinar outra pessoa acidentalmente, sem querer. Mas há também pessoas que querem matar outra pessoa e que fazem um plano antes. Assim, assim, assim, no tal lugar, naquela hora. Se o juiz descobre isso o julgamento será mais pesado. Porque um homem que faz isso é depravado.
    Mas normalmente é muito difícil para um juiz descobrir o que esta no coração dum criminoso. E se ele pudesse ler os pensamentos de um criminoso, ele não poderia fazer nada sem prova; a única pessoa que pode julgar o coração é Deus.  Salomão não disse isso em 1 Reis 8:39 “se uma pessoa erguer as mãos para este Templo, escuta no céu onde moras, perdoa e age; retribui a cada um segundo seu proceder, POIS CONHECES SEU CORAÇÃO – ÉS O ÚNICO QUE CONHECE O CORAÇÃO DE TODOS.”
    Isso é uma coisa incrível. Deus conhece o coração de todos. TODOS. De todos vocês, aqui na igreja. Mas também de todas as pessoas fora da igreja, aqui em Recife, aqui no Brasil, aqui no mundo. Quantas pessoas existem neste mundo? Eu não sei. É demais para contar. Mas Deus sabe, ele conhece todas as pessoas, a vida deles e a coração deles. Deus é onisciente. Pode ler Salmo 139 para descobrir isso, mas há também outros textos. No livro de Provérbios capítulo 17:3 diz: A prata no forno, o ouro no crisol, mas é o Senhor que prova o coração; e Provérbios 21:2 Todo caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o Senhor pesa os corações.
    Um juiz no tribunal só olha os fatos, ele não pode julgar os corações. Deus julga os dois: os fatos e o coração. Por causa disso o décimo mandamento é tão importante: pois o décimo mandamento vai decidir como estavam os nossos corações. A nossa vida pode parecer bonita para os vizinhos; não estamos fazendo coisas erradas ou criminosas. Tudo bem. Mas como está com o nosso interior? Ninguém pode ver isso. Nós podemos bem camuflar o nosso interior: os nossos pensamentos, os nossos planos, os nossos desejos. E especialmente quando queremos uma coisa má. Provérbios 12:20 diz: Há fraude no coração dos que maquinam mal.  Uma pessoa pode chegar com um sorriso grande, mas com o coração mau. Um vendedor pode te vender um carro quebrado com um sorriso falso. O exterior das pessoas não diz nada sobre o interior. Isso é o nosso problema: podemos ver só o exterior, mas não o interior. Só Deus pode.
    E por isso Deus nos deu este mandamento: para nos ensinar que não só as nossas ações são importantes, mas também o que está acontecendo no nosso coração; para que ninguém possa se desculpar diante de Deus. Talvez uma pessoa, ouvindo os primeiros nove mandamentos, possa dizer: fiz tudo isso. Cumpriu a lei de Deus, mas quando chegar ao décimo mandamento o scanner de Deus vai reagir logo. Provérbios 20:9 dizem: “Quem pode dizer: “Purifiquei meu coração, do meu pecado estou puro?”“. Quem pode dizer isso?”.
    Há pessoas que dizem isso. Há pentecostais rigorosos que têm coragem para dizer que Deus purificou o coração deles e que eles estão puros dos seus pecados. Eu não acredito nisso.  Isso é uma mentira. Quem diz isso não conhece seu próprio coração. Não conhece o poder do pecado na nossa vida; e não conhece o poder do diabo aqui na terra, ele não conhece a Palavra de Deus e não conhece  a palavra de Cristo que nos ensinou orar: “E perdoa-nos as nossas dividas como também nós perdoamos aos nossos devedores”. Isso é uma oração para todos os dias. Porque primeiramente devemos orar: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. Cada dia nós precisamos de pão. Sem pão não podemos viver; e cada dia nós precisamos de perdão, sem perdão não podemos viver eternamente. Temos que procurar um e outro.
Por que Jesus está nos ensinando isso, irmãos? Isso é uma oração só para os imperfeitos e não para os perfeitos? Podemos ser perfeitos? Os fariseus acharam que o homem poderia ser perfeito. O homem poderia conseguir cumprir a lei perfeitamente. Paulo era um fariseu. Sabe como ele julga sobre isso e sobre este perfeccionismo? Cuidado com os cães, cuidado com os falsos circuncidados! Eles confiam na carne. Eu também poderia confiar na carne: circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamin, hebreu filho de hebreus, quanto à lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei: irrepreensível. MAS! Mas o que era para mim lucro eu o tive como perda, por amor de Cristo. Mais ainda: tudo eu considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Perdi tudo para ganhar Cristo e em Cristo a justiça e Deus.
O que Paulo quer dizer com isso? Paulo quer dizer que o caminho dos “perfeitos” é um caminho falso. Parece certo, mas não é. Se os homens podem conseguir ser perfeitos, por que Deus ainda mandou Jesus Cristo para pagar a nossa culpa? Só Cristo era perfeito e Ele cumpriu a lei de Deus totalmente, formalmente e cordialmente; ele cumpriu a lei e conseguiu a justiça de Deus para todos que creem nele. O caminho da carne parece lucro, mas na realidade é lixo. Só Cristo pode nos dar a justiça e a salvação.
    E para mostrar isso: Jesus mesmo atacou a justiça dos fariseus; ele mostrou a eles, que eles não eram perfeitos! Eles acharam que eram perfeitos, mas na realidade não eram. Por isso Jesus pregou sobre os dez mandamentos. Podemos ler sobre isso em Mateus 5. Jesus primeiro fala sobre o mandamento e sobre a interpretação dos antigos e depois Jesus diz como ELE MESMO vai julgar. Foi dito aos antigos: Não matarás; e aquele que matar terá de responder no tribunal. EU, porém, vos digo: todo aquele que se encolerizar contra o seu irmão, terá de responder no tribunal. Então Jesus não só julga o resultado da raiva: matar, mas também a raiva mesma. O coração que está cheio de raiva.
    Assim também sobre o sétimo mandamento: Ouvistes que foi dito: Não cometeras adultério. EU. Porém vos digo; todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso já cometeu adultério com ela EM SEU CORAÇÃO. Então de novo: Jesus não só julga o fato de adultério, mas também o desejo libidinoso no coração.
    Um líder dos índios na Indonésia entendeu isso muito bem  por isso ele disse: prefiro as 7777 leis do nosso povo mais do que os dez mandamentos de Deus. Pois essas 7777 leis posso cumprir, mas a lei de Deus me manda entregar o meu coração.  Deus não nos manda cumprir só as regras. Não senhor, ele nos manda AMAR com todo o nosso coração. 
    O nosso coração é o centro do nosso corpo. O nosso coração é como o quarto do diretor duma empresa. As idéias e os planos são feitos no coração da empresa, no quarto do diretor; e ele manda os trabalhadores para realizar os seus planos e desejos. É igual na nossa vida: o que fazemos foi preparado no nosso coração. Por isso Jesus pôde dizer uma vez (Mateus. 15,10-20): “Ouvi e entendei! Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas o que sai da boca, isto sim o torna impuro!” “Isso quer dizer: o que sai da boca procede do coração e é isto que torna o homem impuro. Com efeito, é do coração que procedem más intenções, assassínios, adultérios, prostituições, roubos, falsos testemunhos e difamações. São essas coisas que tornam o homem impuro”. Por que o nosso coração é impuro.
    Cristo pregou tão rigorosamente para mostrar isso. E assim cada geração deve descobrir o seu coração pecaminoso. Por isso devemos pregar os dez mandamentos tão rigorosos. Só assim as pessoas vão descobrir a culpa deles diante de Deus; e quem descobre deve procurar perdão; deve procurar Cristo. E quando encontrar Cristo deve seguir e obedecer ao ensino dele, ficar um aluno, não só por um momento, mas por toda vida. E a igreja, e os pastores devem mostrar esse caminho aos membros e ao mundo e não encobri-lo. Há igrejas e pastores que levam a graça de Deus para todo mundo; Eles lançam as pérolas de Deus aos porcos, que não pedem. Muitas igrejas não falam serio sobre o arrependimento verdadeiro e necessário. Há igrejas que aceitam cada pessoa que levanta a mão se for crente ou não; há outras que acham que todo mundo será salvo. “Sorria, Deus te ama”, eles dizem isso para qualquer pessoa: crente e criminoso.
    A palavra de Deus não fala assim. Está escrito: “Todo aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas todo aquele que rejeita o Filho não verá a vida, pois sobre ele permanece a ira de Deus”.  Por isso o homem deve conhecer o seu estado, deve se converter e mostrar arrependimento sincero, procurar Cristo para ser salvo. E isso não para no momento que nós temos licença para visitar a santa ceia. Porque nós pecamos. Mas SEMPRE, por TODA A NOSSA VIDA, devemos buscar o perdão dos pecados em Cristo e a santificação pelo Espírito Santo. Sempre. Cada dia devemos orar. Quem faz isso?
Vocês oram cada dia. Bom! E Quem não? Porque não. Não precisa? Precisa! Por que Deus nos deu a oração: o Pai Nosso? Isso não é uma brincadeira.  Quem não pede, não recebe! Pode ler Salmo 32 sobre isso. Por isso é muito importante que nós aprendamos a falar com Deus. Ore! Pessoalmente e publicamente; Em casa e na igreja; Pois quem não pede, nada recebe!
Amem!
Sermão preparado pelo Pr. Abram de Graaf.



[1] Dia do Senhor 44

P.113. O que exige de nós o décimo mandamento?

R. Que nem o mais leve pensamento ou desejo contrário a quais-quer mandamentos de Deus jamais deveriam se levantar em nosso coração. Antes, devemos sempre detestar de todo coração a todo o pecado e, nos deleitar em toda a justiça.1 
1. Sl 19.7-14; 139.23, 24; Rm 7.7, 8.
P.114. Mas os que se converteram a Deus são capazes de guardar esses mandamentos perfeitamente? 

R. Não.
Pois até mesmo os mais santos nessa vida só têm um leve começo dessa obediência.1 Mesmo assim, eles começam a viver — com sincero fervor e propósito —não apenas segundo alguns mandamentos de Deus, mas conforme todos eles.2
1. Ec 7.20; Rm 7.14, 15; 1Co 13.9; 1Jo 1.8 2. Sl 1.1, 2; Rm 7.22-25; Fp 3.12-16.
P.115. Se nessa vida ninguém consegue obedecer perfeitamente os Dez Mandamentos, por que Deus manda que sejam pregados com tanto rigor? 

R. Primeiro, para que ao longo das nossas vidas possamos cada vez mais estar conscientes da nossa natureza pecaminosa, e assim buscarmos com mais fervor o perdão dos pecados e a justiça de Cristo.1
Segundo, para que, ao orarmos a Deus pela graça do Espírito Santo, jamais deixemos de batalhar para sermos cada vez mais renovados à imagem de Deus, até que após esta vida alcancemos o alvo da perfeição.2
1. Sl 32.5; Rm 3.19-26; 7.7, 24, 25; 1Jo 1.9. 2. 1Co 9.24; Fp 3.12-14; 1Jo 3.1-3.

[2]  Mateus 5.21-30:
“5.21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento.
5.22   Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.
5.23   Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
5.24   deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.
5.25   Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão.
5.26   Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo.
5.27   Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.
5.28   Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.
5.29   Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno.”
5.30   E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.”

Amando a Deus Quando Honramos Nosso Próximo


[1]Texto: Dia do Senhor 43
[2]Leitura: Êxodo 20.16

Amada congregação do Senhor Jesus Cristo,

Vivemos tempos quando o dinheiro, o sucesso, o poder, parecem valer mais que o bom nome, a boa fama. Estamos nos tempos dos superstar que morrem de overdose e se prostituem nos seus palcos. Temos do mensalão. Quando vemos homens de alta posição, jogando nome deles na lama por causa de dinheiro, ou, de um projeto de poder.
Mas, a sabedoria que vem de Deus diz (Provérbios 22.1): “Mais vale o bom nome do que as muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a prata e o ouro”. Possa ser que você não seja milionário, tenha prata e ouro. Mas, você tem algo que vale mais do que muitas riquezas, do que muito poder.
Que bem tão valioso é esse?
O bom nome, a boa fama, a boa reputação – diz o SENHOR.
Deus coloca a honra como um bem valiosíssimo. Um bem que vale mais que prata e ouro. A boa fama vale mais que muito poder.
No Nono mandamento Deus ordena preservarmos esse valioso bem, a honra. Por isso Ele ordena: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”. Assim, Deus exige que não roubemos a honra de nosso próximo. A mensagem de Deus para nós hoje é:

Deus quer mostremos amor a Ele, amando a honra de nosso próximo.

João Calvino disse em certo lugar algo muito instrutivo sobre o Nono Mandamento. Ele fez uma comparação entre o Oitavo e o Nono Mandamento. O reformador disse que o oitavo mandamento amarra as nossas mãos. Para quê? Para não defraudarmos o bem de nosso próximo. Enquanto, o Nono Mandamento, diz Calvino, amarra outro órgão de nosso corpo. Que órgão é esse? A língua. A língua que tem o poder de prejudicar ou roubar a integridade de nosso próximo. Atacar e roubar o bem mais precioso de nosso próximo. A boa fama, a boa reputação. Isso é pura verdade! Com a nossa língua podemos prejudicar e roubar a honra de nossos próximos, destruir o bom nome, a boa reputação deles.
A língua é uma arma destruidora! Você já pensou, por exemplo, no poder do falso testemunho? No tempo do Antigo Testamento, se alguém quisesse acabar com a honra, ou, até com a vida de um inimigo, então, era somente necessário contratar falsas testemunhas.
As falsas testemunhas mentiriam diante do juiz e o inocente seria culpado. Lembre-se do exemplo das falsas testemunhas que Jezabel contratou para que Nabote fosse morto. Lembre-se das falsas testemunhas contratadas contra Jesus. Lembre-se das falsas testemunhas que se levantaram contra Estevão. Essas falsas testemunhas acabaram com a honra e a vida de inocentes.
O falso testemunho é proibido pelo SENHOR. Em Levítico 19.18 Ele disse: “Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo. Eu sou o SENHOR.” O “mexeriqueiro” pode ser o fofoqueiro, pode ser o leva-e-traz. Mas, falando mais especificamente, refere-se aqui a falsa testemunho. Pois, é a falsa testemunha que atenta contra a vida do próximo. A falsa testemunha mata o próximo, mas com uma faca. A língua é arma morta da falsa testemunha. Esse mandamento em Levítico 19.18 tem a base no Nono Mandamento.
Agora, por que O SENHOR Deus abomina o falso testemunho?
Porque Deus é verdade. Em Deus não existe mentira. Ele abomina a mentira.
Mas o que tem a ver mentira e falso testemunho?
A natureza do falso testemunho é mentira, é falsidade.
A palavra hebraica traduzida como “falso” vem de um verbo que descreve a ação de “enganar”, de “mentir”. Essa palavra hebraica é traduzida em outras partes da Escritura como mentira, falsidade, engano, embuste, engodo, fraude. O falso testemunho é um ataque a natureza de Deus, porque a natureza do falso testemunho é mentira, é falsidade.
O nosso Catecismo expressa o ensino da Escritura quando nos diz o que Deus exige no Nono Mandamento (veja o DS 43). O Catecismo diz o que não devo fazer:
O primeiro parágrafo diz: levantar falso testemunho contra ninguém. Não devo distorcer as palavras de ninguém, ou seja, dar um sentido diferente daquilo que ouvi ou li do meu próximo. Veja que o termo “ninguém” é enfatizado. Sabe que isso significa? Não devo usar minha língua para acabar nem com os meus inimigos.
Outra coisa que Deus proíbe: A maldita da fofoca e da difamação. Os fofoqueiros e difamadores devem ser tratados como assassinos e ladrões. A fofoca e difamação matam ou roubam a honra do próximo. Vemos dentro da igreja famílias inteiras, irmãos e irmãs, velhos e jovens, tendo suas honras roubadas ou prejudicadas pela fofoca e difamação.
O Catecismo também ensina que: “Não devo condenar e nem me ajuntar com ninguém para condenar ninguém precipitadamente e sem o ter ouvido”. Somos tentados a condenar e nos juntar com outros para condenar apressadamente o nosso próximo. Não nos preocupamos em nem ouvir a defesa do nosso próximo. Nós devemos prestar atenção a instrução da Palavra de Deus. Devo parar e pensar: por quê penso isso de fulano? O que levou a fazer aquilo? Vou buscar fulano para ouvir dele as suas motivações, etc? Devo observar o que o Espírito Santo diz em Tg 1.19: “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar”. Esse preceito nos ajudará a cumprir parte do nosso dever quanto ao Nono mandamento. Não devo julgar o meu próximo precipitada e injustamente.
Agora, o Catecismo diz também o que devo fazer (veja o segundo parágrafo da R 112). Primeiro devo: Repudiar (odiar) toda mentira e engano. Por que devo repudiar mentira e engano? Por que são obras próprias do diabo.
O diabo é o Pai da mentira. A mentira se originou no diabo. Ele foi o primeiro mentiroso. Suas mentiras corrompeu os anjos caídos. A mentira dele enganou Eva. Por isso, quem gosta de mentir, de enganar, de malícia, engano, de fraude que prejudica o próximo é filho do diabo (João 8.44).
A mentira e o engano traz a maldição de Deus sobre mim, pois está escrito (Levítico 19.11,12): “Não furtareis, nem mentireis (adulação), nem usareis de falsidade (mesma palavra do mandamento) cada um com o seu próximo; nem jurareis falso (cometer perjúrio – falso é a mesma palavra do mandamento) pelo meu nome, pois profanareis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR”. Praticar perjúrio é profanar o nome de Deus. O nome de Deus representa a pessoa santa e verdadeira de Deus. Quem dá falso testemunho pratica perjúrio. Usa o nome de Deus em vão. Por isso, nosso catecismo diz que: “devo repudiar toda mentira e engano ... para não trazer sobre mim a pesada ira de Deus”. Os mentirosos não tem parte no reino de Cristo se não se arrependerem (Apocalipse 21.8).
A natureza maligna do falso testemunho leva os filhos de Deus banir a mentira dos relacionamentos deles. O apóstolo Paulo, usando Levítico 19.11,12, disse (leia Efésios 4.25): “Por isso, deixando a mentira (palavra usada no Nono Mandamento em grego), fale cada um a verdade com seu próximo, porque somos membros uns dos outros”. Você pode ver uma das consequências da nova vida em Cristo? Passamos a falar a verdade, em amor, abandonando todo tipo de mentira nos nossos relacionamentos fora, mas, especialmente, dentro da igreja.
O Catecismo encerra dizendo o que devo fazer: “No tribunal ou em qualquer outro lugar devo amar a verdade, dizê-la e confessa-la com honestidade e fazer tudo o que puder para defender e promover a honra e a reputação do meu próximo”. Na frente das autoridades e em todo lugar devo amar a verdade, dizê-la e confessá-la.
Porém, um detalhes importantes são ressaltados aqui nessa última parte do Catecismo. Devo amar a verdade. Deus é verdade. Então, tudo que é verdadeiro devo amar. Devo dizer a verdade e confessá-la. Deus é verdade e minha boca ama falar e confessar a verdade. Mas, um detalhe: devo amar a verdade, dizê-la e confessá-la com honestidade. O que significa isso?
A verdade não pode ser usada com sentimentos desonestos. Posso falar a verdade para prejudicar a honra do meu próximo. Isso não vale. É quebra do Nono Mandamento. Se a verdade é dita para denigrir o meu próximo, então, ela é tão ruim quando a difamação. Por isso, o Catecismo diz que devo dizer a verdade e “confessá-la com honestidade e fazer tudo o que puder para defender e promover a honra e a reputação do meu próximo”.
Sabe o que isso diz que devo fazer?
Devo parar de usar aquela frase “tão piedosa”: “Gosto da verdade! Por isso, falo isso de fulano, porque é verdade. Não estou mentindo, fulano fez aquele erro mesmo!”. Essa frase muitas vezes, aparentemente piedosa, é usada para atacar e não promover a honra e a boa reputação do meu próximo. Nós, crentes em Cristo Jesus, novas criaturas, devemos fazer tudo o que pudermos para  defenderemos e promovermos a honra e a reputação do meu próximo. Note que isso é um dever pessoal. A verdade deve ser usado para o bem do meu próximo, para a honra do meu próximo ser guardada. Por isso, você pode perceber o cuidado dos oficiais no processo de disciplina. Somente na última parte da disciplina que o nome do pecador rebelde é mencionado. Nesse caso vemos o respeito ao Nono Mandamento também.

Concluindo:

O Catecismo usa o pronome e os verbos na primeira pessoa do singular, por isso, está escrito: “Eu não devo ... eu devo”. Se cada um de nós, nos preocupamos em agradar a Deus observando o Nono Mandamento, então, veremos a bênção de Deus na nossa vida, na nossa igreja e na nossa sociedade. Pois, Deus se agrada quando nós, por amor a Ele e ao próximo, fazemos tudo o que pudermos para  defenderemos e promovermos a honra e a reputação do meu próximo.
Então, o que nos resta fazermos?
Resta-nos buscarmos a graça de Deus em Cristo Jesus. Pois, nossa velha natureza mentirosa, falsa, fofoqueira, difamadora, detratora, enganadora, já foi morta na Cruz junto com Cristo Jesus (Romanos 6). Hoje estamos em Cristo Jesus pela fé verdadeira. Nós temos em Cristo Jesus tudo para lutarmos contra nossa velha natureza, contra nossas fraquezas e pecados contra o Nono Mandamento. Nós não somos mais escravos da mentira e do engano. Não somos mais escravos do Pai da mentira.
O SENHOR Jesus nos libertou da escravidão da mentira e do engano. Ele cumpriu todos os mandamentos para nos salvar. A Escritura diz que dolo algum foi achado em Sua boca. A língua de Jesus estava solta para dar vida e fazer o bem ao próximo. Foi pela boca dele que o amor do Pai foi revelado aos homens. Foi com a boca dEle que Ele nos ensinou o Evangelho da nossa Salvação. Jesus deu a nós sua justiça perfeita através da fé. Assim, a verdade deve reinar em nós. Pois, Jesus é nosso SENHOR. Jesus é a verdade. Jesus disse (João 14.6): “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.
Nós, que estamos em Cristo pela verdadeira fé, estamos sendo santificados na verdade, ou seja, em Cristo e na Palavra dEle (João 17.17). Nós temos em nós o Espírito da Verdade, o Espírito Santo (João 16.12). Somos novas criaturas. Temos nossas mentes renovadas no Espírito Santo. Nós estamos sendo revestidos do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.(Efésios 4.24).
Então, nós, pela graça de Cristo e em Cristo, temos tudo para santificar nossas línguas e defender e proteger a honra e reputação de nosso próximo. Temos todo o poder de Cristo para amarrar nossa língua com as cordas do amor pela vontade de Deus. Essa vontade de Deus que é bem expressa no Nono Mandamento. O mandamento que nos ensina a amar a honra de Deus e a honra do nosso próximo. Pois, o SENHOR Deus que, nos ama em Cristo, nos libertou na escravidão da mentira e do engano. O nosso Deus e Pai que quer que mostremos amor a Ele, amando a honra de nosso próximo. Amém.

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre a doutrina ensinada no Catecismo de Heidelberg, Dia do Senhor 43.



[1]
Êxodo 20.16: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

[2]
Dia do Senhor 43

P.112. O que se exige no nono mandamento?

R. Que eu não devo levantar falso testemunho contra ninguém, nem distorcer as palavras de ninguém, não fazer fofoca nem difamar, não condenar nem me ajuntar com ninguém para condenar a outrem precipitadamente e sem o ter ouvido.1 Antes devo repudiar toda mentira e engano, obras próprias do diabo, para não trazer sobre mim a pesada ira de Deus.2 No tribunal ou em qualquer outro lugar eu devo amar à verdade,3 dizê-la e confessá-la com honestidade e fazer tudo o que puder para defender e promover a honra e a reputação do meu próximo.4
1. Sl 15; Pv 19.5, 9; 21.28; Mt 7.1; Lc 6.37; Rm 1.28-32. 2. Lv 19.11, 12; Pv 12.22; 13.5; Jo 8.44; Ap 21.8. 3. 1Co 13.6; Ef 4.25. 4. 1Pe 3.8, 9; 4.8.

Não Furtar: O que Deus Proíbe no Oitavo Mandamento


[1]Leitura: Êxodo 20.15
[2]Texto: Dia do Senhor 42

Amada Congregação do Senhor,

Nós estamos acompanhando o dito mensalão. A mídia tem trazido, divulgado, a condenação de políticos por sérias denúncias de fraudes e desvios de verbas dentro dos ministérios do governo federal. Graças a Deus pela aplicação da justiça nesses dias tão escuros.
O Brasil sofre com a sua corrupção que tem roubado bilhões de reais a cada ano. Esses desvios que tem muito a ver com os políticos e demais autoridades. Em verdade, por causa da queda, política e furto são sinônimos, isto é, parecem ter o mesmo significado para o brasileiro. Então, nesses dias de tanta condenação por roubos é oportuno ouvirmos o ensino sobre o Oitavo Mandamento.
O que Deus, seu Senhor, diz a você na Lei quando fala “Não furtarás?” Para Deus o que é um ladrão, e quais ações são consideradas como a quebra do oitavo mandamento?
Deus chamou você aqui para ensinar o que Ele proíbe e os nossos deveres no oitavo mandamento. Ouça neste momento a Pregação da Palavra de Deus no seguinte tema:

Não furtarás

1.  O que Deus proíbe no oitavo mandamento
2.  O que Deus exige no oitavo mandamento

1. Não furtarás: O que Deus proíbe no oitavo mandamento

O ensino bíblico sobre o oitavo mandamento é “que Deus não apenas proíbe o roubo e o furto que as autoridades punem…”. A Igreja aqui mostra que nossa confissão não se baseia somente nas leis que as autoridades civis dizem ser o que é furto ou roubo.
As autoridades civis são instrumentos de Deus para manter a ordem e a justiça entre os homens. Mas, os cristãos não devem se contentar somente com aquilo que as autoridades civis classificam e punem como furto ou roubo.
A igreja entende, pela Escritura, que as autoridades são sujeitas a erros. Além disso, as leis dos homens são INCAPAZES de tratarem a fonte de toda defraudação: o coração pecaminoso do homem.
O Espírito Santo não quer tratar SOMENTE do nosso comportamento. O SENHOR Deus quer tratar o coração do Seu povo. O Espírito quer guardar o coração do Seu povo de pecar contra Ele. Então, o Espírito Santo diz “não furtarás” em Êxodo 20.15.
A palavra “furtarás” é aplicada de tal forma na Escritura que nos ensina que a quebra do oitavo mandamento é mais que o “furtar” que conhecemos.
A palavra hebraica usada aparece 60 vezes na Escritura, para descrever várias ações e sentimentos que prejudicam o próximo, por exemplo: O Espírito usou a mesma palavra em Gênesis 31.20,26, 27, para dizer que Jacó “logrou” a Labão, ou seja, enganou, agindo sorrateiramente.
Na passagem de Êxodo 22.1-15 a mesma palavra hebraica é usada várias vezes e de tal maneira que dá o sentido das expressões “coisa fraudulenta”, “meteu a mão nos bens” do seu próximo.
Deus caracteriza o sequestro e rapto de pessoas como “furto” (veja as passagens de Êxodo 21.16; Deuteronômio 24.7; 2 Reis 11.2).
A Escritura diz que Absalão (filho de Davi) “furtava o coração dos homens de Israel” (2º Samuel 15.6). A expressão “furtar o coração” tem o sentido de ganhar por meio de engano.
Quando lemos o uso na Escritura da palavra hebraica traduzida como “furtar”, então, vemos que no Oitavo Mandamento, Deus proíbe todos os pensamentos e atitudes, que tente, malignamente, tirar proveito ou prejudicar os bens alheios. Por isso, a igreja confessa que:

“Deus proíbe não apenas o furto e o roubo que as autoridades civis punem, mas também os esquemas e ciladas malignos como falsos pesos e falsas medidas, negócio enganoso, dinheiro falsificado e usura; não devemos defraudar o nosso próximo de maneira nenhuma, nem pela força nem pela aparência de direito.”

A última frase da Resposta 110 fala algo que chama a nossa atenção (veja, por favor): “Além disso, Deus proíbe toda a avareza e todo o abuso e desperdício de Suas dádivas”.
A doutrina bíblica fala de avareza. A “avareza” é ganância e cobiça malignas. É um desejo ávido para alcançar vantagem, explorar, defraudar o próximo. Assim, você vê a fome do homem de se obter dinheiro, sucesso, ou qualquer tipo de proveito, a custa do próximo. A avareza é idolatria (Efésios 5.5). Ninguém pode servir a dois senhores. Ninguém. Os avarentos não herdarão o céu. A avareza leva para o inferno quem a ela serve.
É bom nós como cristãos discernirmos se a idolatria por sucesso profissional, por uma melhor vida nessa terra, por dinheiro, tem nos enchido o coração. Isso para pensarmos, pois temos apenas um SENHOR. Temos um reino e uma justiça que devemos buscar em primeiro lugar. Esse reino essa justiça é de Cristo. O reino de Cristo e a obediência a Cristo devem ter primeiro lugar em minha. Se não for assim tenho caído em avareza e tenho quebrado o oitavo mandamento. Deus proíbe a avareza por que Ele é o teu único Senhor. Ele comprou você com o Sangue precioso de Cristo Jesus.
Agora, o Catecismo também menciona que “Deus proíbe… todo abuso e desperdício de Suas dádivas”. O SENHOR Deus é o dono de toda a terra e do que nela contém. O SENHOR Deus confiou a nós sua criação, para que cuidemos bem dela e a utilizemos para glória de Cristo.
Quando abusamos ou desperdiçamos as dádivas que Deus nos confiou, estamos sendo maus mordomos. Em verdade, roubamos a Deus! Um funcionário que não cumpre horário, que não executa bem a sua tarefa é o quê? Ladrão. Então, o nosso papel é sermos bons mordomos dos dons de Deus. Que dons? Cito alguns: a vida, a esposa, os filhos, o tempo, a sua casa, o alimento, a roupa, a profissão, o seu dinheiro e tudo mais.
Então, todos esses dons devem ser administrados com responsabilidade e para a glória de Deus. Então, como você tem exercido a mordomia cristã? Qual lucro você tem devolvido para o Seu Senhor? Ele entregou a você dádivas que devem render para a Glória de Cristo. Quando não usamos os dons de Deus, então, abusamos e desperdiçamos o que Deus nos dá. O que é isso então? Roubo, defraudação.
Se você ama e é grato ao SENHOR Deus pela Salvação, se você é um verdadeiro filho de Deus em Cristo, então, a Sua preocupação será usar bem os dons de Deus. Será usar esses dons para a glória de Deus e o bem do próximo. Você vai ter o sincero desejo de obedecer às proibições contidas no Oitavo Mandamento!

Vamos agora para o segundo e último ponto:

Não furtarás: O que Deus exige no oitavo mandamento

No Oitavo Mandamento do SENHOR Deus não há só proibições. Nós também aprendemos nossos deveres. Nós somos ensinados a como devemos agir, para mostrar gratidão a Deus de modo ativo (veja a P&R 111):

“Que eu promova o bem do meu próximo sempre que for lícito e possível; que eu trate do mesmo modo que desejaria ser tratado pelos outros e que trabalhe fielmente para ter condições de dar aos necessitados”

O Apóstolo Paulo diz em Romanos 13.8-10 que a única dívida que devemos manter com o nosso próximo é o amor. O “amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor”.
A uma diferença grande entre “um favor” e “um dever”. O amor não é um favor que faço ao meu próximo. O amor é uma dívida que tenho para com o meu próximo. Somente o amor de Deus é um favor. Nós não merecemos o amor de Deus. Deus nos amou gratuitamente. O amor de Deus pela criatura é uma graça manifestada em Cristo Jesus e revelada no Evangelho.
Agora, o meu amor para com o próximo é um dever. Por isso, se eu e você não mostramos amor para com o nosso próximo, então, estamos devendo o que é de direito do nosso próximo.
A exigência de Deus para sua Igreja é: Pagai a todos o que é devido: o amor! Por amor e gratidão a Deus nós buscamos amar o nosso próximo. Por entendermos o Evangelho do amor gratuito de Deus por nós é que, “sempre que for lícito e possível” promoveremos o bem do nosso próximo, trataremos nosso próximo como queremos ser tratados; e… trabalharemos para que possamos socorrer o necessitado. Esse é o chamado de cada um de nós e de todos nós juntos!
 Em Efésios 4.28 aprendemos que uma das marcas do novo homem é: “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado”!
Um novo homem em Cristo não se manifesta somente com o parar de furtar, mas pelo esforço de trabalhar com o objetivo de socorrer ao necessitado, ou seja, ao próximo que carece de ajuda financeira. Um homem ou uma mulher que nasceu de novo não se satisfará somente em não defraudar. Ele buscará abandonar o egoísmo e passará a trabalhar para beneficiar seu próximo! Esse é o nosso dever à luz do Oitavo Mandamento.
Nós necessitamos pensar: Tenho manifestado amor e gratidão a Deus, buscando cumprir as exigências do Oitavo Mandamento? Será que tenho tratado o meu próximo como desejo ser tratado por ele? Qual o resultado do meu trabalho? Será que o dinheiro que recebo tem servido aos necessitados ou somente ao meu egoísmo?
Diante de Deus: Quais são suas respostas a estas perguntas? Se o SENHOR Deus falasse agora: Pega ladrão! Quem de nós ficaria aqui? Não ficaria um meu irmão!
Digo que nenhum de nós ficaria aqui neste culto. Não há um que faça o bem. Isso a Escritura diz. Por isso, o SENHOR Deus, por amor e misericórdia, enviou Seu Único Filho. O SENHOR Jesus veio para cumprir perfeitamente o Oitavo Mandamento. Ele fez isso em favor da Sua Igreja. A Escritura diz que dolo algum foi achado na boca de Jesus!
Meu amado irmão, você pode imaginar? Jesus Cristo durante todo seu ministério terreno buscou sempre o bem do seu próximo. Jesus Cristo cumpriu em Sua vida perfeitamente as proibições e exigências do mandamento, tão perfeitamente que: Ele salvou Zaqueu. Esse publicano era um homem fraudulento (Lucas 19.1-10). Jesus Cristo garantiu a salvação de Zaqueu e da sua casa.
Jesus Cristo, sem pecado diante de Deus e dos homens, foi trocado por um Salteador chamado Barrabás. Jesus Cristo foi contado entre os malfeitores. Ele foi crucificado com dois ladrões. Jesus Cristo disse a um ladrão, um salteador condenado: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso!”. Jesus Cristo disse essas palavras quando agonizava na Cruz.
Imagine: Se debaixo de maldição Jesus Cristo garantiu a Salvação de um ladrão, então, quanto mais agora. Ele já pagou o preço por nossos pecados. Jesus ressuscitou para nossa justificação. Ele subiu ao céu e está à direita de Deus e favorece a Sua Igreja. Jesus Cristo está em Glória no céu. Ele derramou Seu Espírito Santo e nos concedeu dons, para vivermos para Deus e exercermos o amor para com o próximo.
Portanto, nós, pelo evangelho, somos chamados a confiar em Cristo Jesus, o SENHOR. Ele tem o poder para salvar homens fraudentos e defraudadores. Não há pecado que Jesus não possa perdoar. Jesus reforça Sua Igreja com o Espírito, Os sacramentos e a Palavra, para que possamos buscar viver o Oitavo Mandamento.
Meu irmão em Cristo confie na obra de Cristo pregado no Evangelho e viva a nova vida. Uma vida que rompe com a defraudação, a avareza, o desperdício dos dons, o egoísmo da velha natureza. Sendo assim, segundo o Evangelho e confiado na graça de Deus, viva em gratidão ao SENHOR Deus. Tenha a intensão sincera de cumprir o Oitavo Mandamento! Essa é a vontade do Senhor Deus para você: “Não furtarás”! Amém.

Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre a doutrina bíblica ensinada no Catecismo de Heidelberg, Dia do Senhor 42.



[1]
Êxodo 20.15 “Não furtarás.”

[2]

Dia do Senhor 42

 

P.110. O que proíbe Deus no oitavo mandamento?

R. Deus não apenas proíbe o roubo e o furto que as autoridades punem1 mas também os esquemas e ciladas malignos como falsos pesos e falsas medidas, negócio enganoso, dinheiro falsificado e usura;2 não devemos defraudar o nosso próximo de maneira nenhuma, nem pela força nem pela aparência de direito.3 Além disso Deus proíbe toda a avareza4 e todo o abuso e desperdício de Suas dádivas.5

1. Ex 22.1; 1Co 5.9, 10; 6.9, 10. 2. Dt 25.13-16; Sl 15.5; Pv 11.1; 12.22; Ez 45.9-12; Lc 6.35. 3. Mq 6.9-11; Lc 3.14; Tg 5.1-6. 4. Lc 12.15; Ef 5.5. 5. Pv 21.20; 23.20, 21; Lc 16.10-13.
P.111. O que exige Deus de você nesse mandamento?

R. Que eu promova o bem do meu próximo sempre que for lícito e possível; que eu o trate do mesmo modo que desejaria ser tratado pelos outros e que trabalhe fielmente para ter condições de dar aos necessitados.1

1. Is 58.5-10; Mt 7.12; Gl 6.9, 10; Ef 4.28.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Deus Proporciona a Graça de Testemunharmos Sua Salvação ao Nosso Próximo


E os que forem prudentes brilharão como esplendor do firmamento; e os que a muitos justificarem, como as estrelas sempre e eternamente.” Daniel 12.3. 

Comentário:
     A palavra ‘prudente’ significa revestido com intelecto. Alguns a tomam transitivamente, e nesta passagem sua opinião provavelmente seja correta, porque o ofício de justificar logo será designado aos prudentes. Mas o primeiro sentido se adéqua melhor ao capítulo 11, e no versículo 10 ele será expresso em termos absolutos. Daí significar os que são dotados com inteligência. O anjo aqui confirma o que acabei de expressar concernente à ressurreição final, e mostra como desfrutaremos de seus frutos, porque a glória eterna está estabelecida para nós no céu. Não devemos queixar-nos de sermos tratados injustamente, sempre que parecemos sofrer abruptamente nas mãos de Deus, porque devemos viver satisfeitos com a glória celestial e com a perpétua existência daquela vida que nos foi prometida. Ele então diz os mestres, ou aqueles que excelem em entendimento, brilharão como a luz do céu. Se o termo ‘mestre’ for preferível, então há aqui uma figura de linguagem, uma parte sendo pelo todo, e portanto eu sigo a expressão usual. Ele aplica a frase “dotado com entendimento” aos que não se apartam do verdadeiro e puro conhecimento de Deus, como a seguir será explicado mais plenamente. Pois o anjo contrasta o profano que soberba e desdenhosamente se enfurece contra Deus e contra os fiéis cuja sabedoria é submeter-se a Deus e ao culto que lhe pertence com a mais pura afeição de suas mentes. Diremos mais sobre este tema amanhã. Agora, porém, ele diz que os que mantinha sincera piedade seriam como a luz do firmamento; ou seja, serão herdeiros do reino do céu, onde desfrutarão daquela glória que excede todo esplendor do mundo. Sem dúvida, o anjo aqui usa figuras para explicar o que é incompreensível, significando que nada pode ser encontrado no mundo que corresponda à glória do povo eleito.
      E os que justificarem a muitos serão como as estrelas, diz ele. Ele repete a mesma coisa em outros termos, e agora fala de estrelas, tendo a princípio usado a frase o brilho do firmamento no mesmo sentido; e em vez de “os que são dotados de entendimento”, ele diz: os que a muitos justificarem. Sem dúvida, o anjo aqui denota especialmente os mestres da verdade, porém em minha opinião ele abarca também todos os pios adoradores de Deus. Nenhum dos filhos de Deus deve confinar sua atenção particularmente em si, mas, o quanto possível, cada um deve interessar-se no bem-estar de seus irmãos. Por esta palavra ‘justificar’, o anjo pretende não que esteja no poder de um homem justificar outro, mas a propriedade de Deus é aqui transferida para seus ministros. Entrementes, tanto somos claramente justificados por qualquer ensino que produza fé dentro de nossa esfera, quanto somos justificados pela fé que procede do ensino. Por que nossa justificação é sempre atribuída à fé? Porque nossa fé nos conduz a Cristo em quem está a completa perfeição da justificação, e assim nossa justificação pode ser atribuída igualmente à fé ensinada e à doutrina, que a ensina. E os que põem diante de nós este ensino são os ministros de nossa justificação. A afirmação do anjo, em outros termos, é esta: Os filhos de Deus que se devotam inteiramente a Deus, e são governados pelo espírito de prudência, apontam o caminho da vida a outros, não só serão eles mesmos salvos, mas possuirão incomensurável glória muito além de qualquer coisa que exista neste mundo. Esta é a explicação completa. Daí deduzimos que a natureza da verdadeira prudência consiste em nos submetermos a Deus como simples alunos, e em manifestarmos a qualidade adicional de promover cuidadosamente a salvação de nossos irmãos. O efeito desse nosso labor deve aumentar nossa coragem e espírito de júbilo. Pois quão grande é a honra conferida a nós por nosso Pai celestial, quando ele quer que sejamos ministros de sua justiça! Como diz Tiago: “Irmãos, se alguém dentre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba que aquele que fizer converter um pecador de seu caminho errado, salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados.”  [ Tg 5.19,20]. Tiago nos chama de preservadores, justamente como o anjo nos chama de justificadores; nem o anjo nem o apóstolo deseja detrair algo da glória de Deus, mas com esse modo de falar o Espírito nos representa como ministros da justificação e da salvação, quando nos unimos nos mesmos laços a todos quantos necessitam de nossa assistência e esforços.   
Calvino, João 1509-1564, Daniel, volume 2, capitulo 12 versículo 3/ João Calvino; tradução: Valter Graciano Martins – São Bernardo do Campo, SP. Edições Parakletos, 2002.