sábado, 15 de setembro de 2012

O Estandarte do Amor Fraternal


O Estandarte de Dã
Marcharão no último lugar, segundo os seus estandartes.
                                                                                              Números 2.31

O arraial de Dã vinha na retaguarda, quando os exércitos de Israel estavam em marcha. Os danitas ocupavam o último lugar. Entretanto, que importância tinha essa posição, visto que eles, assim como as tribos que ocupavam a dianteira, também eram parte autêntica das hostes de Israel? Eles seguiam a mesma abrasadora coluna de nuvem. Comiam do mesmo maná, bebiam da mesma rocha espiritual e peregrinavam em direção à mesma herança. 
Ó meu coração, vem e anima-te, embora sejas o menor e o último; tens o privilégio de estar no exército e viver como aqueles que lideram o povo. No que diz respeito à honra e estima, alguém precisa estar na retaguarda. Alguém precisa realizar para Jesus, serviços de pouco valor e, por que não eu? Numa vila pobre, no campo, ou numa rua afastada entre pecadores degradados, eu trabalharei marchando no último lugar, segundo meu estandarte. Os danitas ocupavam um lugar bastante útil. Aqueles que caminhavam lentamente precisavam ser ajudados durante a marcha, e os bens perdidos tinham de ser recolhidos na peregrinação. Os espíritos ousados podem avançar apressadamente em direção a caminhos inexplorados, a fim de aprenderem novas verdades e ganharem outras almas para Jesus. No entanto, um espírito mais conservador pode estar envolvido em relembrar à igreja a sua antiga fé e em revigorar seus filhos desanimados. A retaguarda é uma posição de perigo. Existem inimigos tanto atrás como adiante. Os ataques podem vir de qualquer direção. Lemos que Amaleque assaltou Israel e matou alguns da retaguarda. O crente maduro encontrará para as suas armas um precioso serviço em auxiliar a alma insegura, vacilante e frágil daqueles que, no que concerne à fé, conhecimento e alegria, se encontram na retaguarda. Não podemos deixá-los sem auxílio. Assim, deveria ser o trabalho dos crentes preparados, carregar seus estandartes entre a retaguarda. Ó minha alma, esteja em alerta para ajudar cordialmente aqueles que estão na retaguarda. 
Charles Haddon Spurgeon - Leituras Diárias – Vol. II. Editora Fiel.

A Natureza e Grandeza do Conhecimento de Deus


A Natureza e Grandeza do Conhecimento de Deus

Thomas Watson (1620-1686)

A natureza do conhecimento de Deus
Deus sabe, em suas contingências, todas as coisas que são possíveis de se conhecer. Ele profetizou a saída de Israel da Babilônia e a concepção virginal da mãe do Messias. Por meio desse conhecimento, o Senhor prova a verdade de sua deidade contra os deuses-ídolos: "Anuncia-nos as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos que sois deuses" (Isaías 41.23).
A perfeição do conhecimento de Deus é básica. Ele é a origem, o padrão e o protótipo de todo o conhecimento; os outros tomam o conhecimento emprestado dele. Os anjos acendem suas lâmpadas na sua gloriosa luz.
O conhecimento de Deus é puro e não se contamina com o objeto conhecido. Embora Deus conheça o pecado, odeia e pune o pecado. Nenhum mal pode se misturar ou se incorporar a seu conhecimento, assim como o Sol não pode ficar impuro com os vapores que se levantam da terra.
O conhecimento de Deus é simples, não apresenta dificuldade. Nós estudamos e procuramos o conhecimento: "se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares" (Provérbios 2.4). A lâmpada do conhecimento de Deus é tão infinitamente brilhante que todas as coisas são inteligíveis para ele.
O conhecimento de Deus é infalível, pois não há erro em seu conhecimento. O conhecimento humano está sujeito a erro. Um médico pode errar em relação à causa de uma doença, mas o conhecimento de Deus é sem erro, ele não pode se enganar, nem ser enganado. Ele não pode se enganar porque é a verdade, nem ser enganado porque é a sabedoria.
O conhecimento de Deus é instantâneo. Nosso conhecimento é sucessivo, uma coisa depois da outra. Nós argumentamos de o efeito para a causa. Deus sabe coisas do passado, do presente e do futuro de uma só vez; estão todas diante dele em uma perspectiva integral.
O conhecimento de Deus é retentivo. Ele nunca perde o seu conhecimento, ele tem reminiscentia, assim como intelligentia; ele lembra assim como entende. Muitas coisas fogem à nossa mente, mas o conhecimento de Deus é eternizado. Coisas que aconteceram há mil anos são tão novas para ele como se tivessem acontecido há um minuto. Assim ele é perfeito em conhecimento.
A grandeza do conhecimento de Deus
"O SENHOR é o Deus da sabedoria e pesa todos os feitos na balança" (I Samuel 2.3). Coisas gloriosas são ditas a respeito de Deus: ele transcende nossos pensamentos e os louvores dos anjos. A glória de Deus se apresenta principalmente em seus atributos, que são vários raios pelos quais a natureza divina se irradia.

Entre outras de suas qualidades manifestas, que não são menores que qualquer delas, o Senhor é um Deus de conhecimento, ou, como no original hebraico: "um Deus de conhecimentos". Pelo espelho brilhante de sua própria essência Deus tem a idéia completa e o conhecimento total de tudo. O mundo é para ele um corpo transparente. Ele faz a anatomia do coração: "sou aquele que sonda mentes e corações" (Apocalipse 2.23). As nuvens não são coberturas e a noite não é uma cortina que se coloca entre nós e sua visão: "até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa" (Salmo 139.12). Não há uma palavra que cochichemos que Deus não ouça: "ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda" (Salmo 139.4). Não há um pensamento mais sutil que venha à nossa mente e que Deus não conheça: "porque conheço as suas obras e os seus pensamentos" (Is 66.18). Os pensamentos soam tão alto nos ouvidos de Deus como as palavras aos nossos ouvidos. Todas as nossas ações, embora sutilmente elaboradas e secretamente comunicadas, são visíveis aos olhos do Onisciente: "conheço as suas obras" (Isaías 66.18). Acã escondeu a capa babilônica enterrando-a, mas Deus a trouxe à luz (Josué 7.21).

A estátua de Minerva foi desenhada com cores tão impressionantes e detalhada com tanta vivacidade que em qualquer lugar que alguém se posicionasse o olhar de Minerva estava fixo nele. Assim, em qualquer lugar que estivermos os olhos de Deus estarão sobre nós: "tens tu notícia do equilíbrio das nuvens e das maravilhas daquele que é perfeito em conhecimento?" (Jó 37.16).

Fonte:

A Natureza Maligna do Pecado


O pecado é maligno em sua natureza. Considere o seguinte em relação a ele:
1. O pecado é algo que corrompe. O pecado não é somente uma apostasia, mas uma corrupção. É para o espírito como a ferrugem para o ouro, e como uma mancha para a beleza. Ele deixa a alma rubra com a culpa e negra com a torpeza. O pecado, nas Escrituras, é comparado a uma "coisa imunda" (Isaías 30.22) e a uma "chaga do seu coração" (l Reis 8.38). As vestes sujas de Josué, com as quais se apresentou diante do anjo, eram nada mais que um tipo e um hieróglifo do pecado (Zacarias 3.3). O pecado tem desonrado a imagem de Deus, além de macular o brilho precioso da alma. Ele faz Deus abominar o pecador (Zacarias 11.8) e quando um pecador percebe seu pecado ele abomina a si próprio (Ezequiel 20.43).
O pecado verte veneno em nossas boas obras e infecta nossas orações. O sumo sacerdote deveria fazer a expiação dos pecados no altar, tipificando que nossos cultos mais sagrados precisam de Cristo para expiá-los (Êxodo 29.36). As obrigações da religião, por si mesmas, são boas, porém o pecado as corrompe, assim como a água mais pura é contaminada ao correr sobre um solo barrento. Se o leproso, sob a lei, tocasse o altar, não ficaria limpo, mas ele teria profanado o altar. O apóstolo chama o pecado de "impureza, tanto da carne como do espírito" (2 Coríntios 7.1). O pecado imprime a imagem do diabo no homem. A malícia é o olho do diabo; a hipocrisia, seus pés fétidos. Ele transforma o homem em um diabo: "Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo, um de vós é diabo" (João 6.70).
2. O pecado entristece o Espírito. O pecado entristece o Espírito de Deus: "E não entristeçais o Espírito de Deus" (Efésios 4.30). Entristecer é mais do que enraivecer.
Como o Espírito pode dizer que está entristecido? Porque, sabendo que ele é Deus, não pode estar sujeito a nenhuma paixão.
Isso é uma metáfora. O pecado entristece o Espírito porque é uma injúria causada ao Espírito, este não a recebe bondosamente e, por assim dizer, deposita-a no coração. Isso não é mais que entristecer o Espírito? O Espírito Santo desceu na forma de uma pomba e o pecado causou o lamento dessa pomba abençoada. Ainda que fosse somente um anjo, não deveríamos entristecê-lo, muito menos o Espírito de Deus. Não é lamentável entristecermos nosso Consolador?
3. O pecado é rebeldia contra Deus. E um ato rebelde contra o Criador, um caminhar em direção oposta ao céu: "Se... andardes contrariamente comigo" (Levítico 26.27). Um pecador tripudia sobre a lei de Deus, contraria a sua vontade, faz tudo que pode para afrontar, sim, para ofender a Deus. A palavra hebraica para pecado, pasha, significa rebelião. Em todo pecado existe um cerne de rebeldia: "Antes, certamente toda a palavra que saiu da nossa boca, isto é, queimaremos incenso à Rainha dos Céus... temos feito" (Jeremias 44.17). O pecado atenta contra a verdadeira divindade: o pecado é o hipotético assassino de Deus. O pecado não só gostaria de desentronizar Deus, mas de desdivinizá-lo. Se o pecador pudesse fazê-lo, Deus não seria mais Deus.
4. O pecado é um ato cruel de falsidade. O pecado é um ato de falsidade e de crueldade. Deus alimenta o pecador, mantém os demônios longe dele, realiza nele milagres com misericórdia. Porém, o pecador não somente esquece as misericórdias de Deus como, ainda, as condena. Ele é o que há de pior para a misericórdia, como Absalão que, na condição de filho de Davi, havia beijado o pai, obtendo, assim, seu favor, e planejou traí-lo (2 Samuel 15.10). Como a mula, que escoiceia a própria mãe após mamar o leite: "É assim a tua fidelidade para com o teu amigo?" (2 Samuel 16.17). Deus pode repreender o pecador. "Dei-te", ele pode dizer, "saúde, força e posição; mas retribuíste mal por bem, feriste-me com minhas próprias misericórdias; é esta a tua fidelidade para com teu amigo? Dei-te vida para que pecasses? Dei-te recompensas para que servisses ao diabo?"
5. O pecado é uma doença terrível. O pecado é uma doença: "Toda a cabeça está doente" (Isaías 1.5). Alguns estão doentes de orgulho, outros de luxúria, outros de inveja. O pecado causa indisposição à parte intelectual, é como uma lepra na cabeça, ele envenena os órgãos vitais: Porque a consciência deles está corrompida (Tito 1.15). Acontece com o pecador o mesmo que com uma pessoa doente: seu paladar fica indisposto: as coisas mais doces têm sabor amargo. A expressão "mais doces do que o mel" (SI 19.10) tem sabor amargo para ele, troca "o doce, por amargo" (Isaías 5.20). Isso é uma doença e nada pode curá-la, a não ser o sangue do médico (Jesus).
6. O pecado é uma coisa irracional. Ele não somente faz o homem agir perversamente, mas também loucamente. É absurdo e irracional preferir o menos ao mais, os prazeres da vida aos rios de prazeres à mão direita de Deus perpetuamente. Não é irracional perder o céu pela satisfação da luxúria? Como Lisímaco, que perdeu um reino por causa de um gole d'água. Não é irracional contentar um inimigo? No pecado, fazemos tudo isso. Quando a luxúria ou a ira imprudente queimam na alma, o próprio Satanás se aquece nessas chamas. Os pecados dos homens são um banquete para o diabo.
7. O pecado é algo doloroso. Custa muito trabalho aos homens andar atrás de seus pecados. Como se cansam servindo ao diabo. "Cansam-se de praticar a iniqüidade" (Jeremias 9.5). Quanta dor Judas teve de suportar por sua traição. Ele vai ao sumo sacerdote, depois segue atrás do bando de soldados, e, então, finalmente volta ao jardim. Crisóstomo diz: "A virtude é mais suave que o vício". É mais doloroso para alguns seguirem após os próprios pecados do que, para outros, adorarem a Deus. Enquanto sofre dores de parto com seu pecado, o pecador dá à luz com pesar, como dito em Tito 3.3: "escravos de toda a sorte de paixões". Não têm prazer, mas servem. Por quê? Não só por causa da escravidão do pecado, mas também pelo grande labor, é isso que significa "escravos de toda a sorte de paixões". Muitos homens vão para o inferno com o suor da testa.
8. O pecado é odiado por Deus. Pecado é a única coisa contra a qual Deus tem antipatia. Deus não odeia o homem porque ele é pobre ou desprezado no mundo, da mesma maneira como não podemos odiar nosso amigo porque ele está doente. Porém, o que aguça o ódio de Deus é o pecado. "Não façais esta coisa abominável que aborreço" (Jeremias 44.4). E, certamente, se o pecador morrer sob a ira de Deus, não será admitido nas mansões celestiais. Deus deixará o homem viver com ele, este a quem abomina? Deus jamais colocará uma víbora em seu colo. As penas da águia não se misturarão com as penas de outras aves; da mesma maneira, Deus não se misturará ou se associará com um pecador. Até que o pecado seja tirado, não há como chegar onde Deus está.
Origem do texto:

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"Não deixemos de congregar-nos..." Hebreus 10.25



[i]DISCIPLINA DA IGREJA

Estudiosos aumentam dia a dia sua convicção de que a doutrina da Igreja vem se enfraquecendo e, em alguns casos, sendo até abandonada pelos evangélicos. Robert W. Patterson, assessor do diretor executivo da Associação Nacional de Evangélicos, expôs sua preocupação na edição de março de 1991 de Christianity Today ("Cristianismo Hoje"):

Quando o presidente Dwight Eisenhower[1] se converteu, ele fez sua pública profissão de fé em Jesus e foi batizado na Igreja Presbiteriana Nacional, em Washington, no segundo domingo após sua posse em 1953. Tivesse o presidente expressado interesse em tornar-se cristão uma geração mais tarde, segundo os prognósticos evangélicos mais conscientes, e ele poderia nunca ter sido desafiado a identificar-se com o corpo de Cristo pelo batismo, tornando-se membro da igreja. Um relacionamento pessoal com Jesus, diria mais tarde, é tudo que realmente importa. [2]

Obviamente, devemos concordar de todo o coração que, sem um relacionamento pessoal com Jesus, tudo é inútil. Mas não devemos argumentar equivocadamente que o relacionamento com Cristo diminui a importância da igreja. Mas, da forma como agem, é exatamente o que a multidão dos evangélicos imagina.
A frequência à igreja está contaminada pela doença da “lealdade condicional” que produziu um exército de “caronas eclesiásticos”. O polegar do carona diz: "Você compra um carro, paga as revisões, a conservação e o seguro, abastece-o — e eu vou com você. Mas, se você sofrer um acidente, estará sozinho. E se eu sofrer algum malefício provavelmente ainda vou te processar".
Assim é o credo de muitos frequentadores da igreja, hoje: "Você comparece ao culto, participa das reuniões e se envolve com todos os compromissos na igreja, paga as contas — e eu apareço de carona para assistir à Escola Dominical ou assistir um culto. E tem mais, se o que eu vou ver por lá não me agradar, vou criticar, reclamar e provavelmente vou dar o fora — meu polegar está sempre pronto para pegar uma carona em outra igreja melhor".
Essa pretensa “lealdade condicional” alimenta-se de uma mentalidade de consumidor de supermercado cristão — que escolhe aqui e ali a forma de preencher sua lista de compras eclesiástica. Os caronas frequentam a uma igreja pela pregação no domingo, mandam os filhos para assistirem a um programa especial dos jovens em outra igreja no sábado e vão à reunião de doutrina em outra. Possuem um vocabulário particular que inclui: "eu vou", "eu assisto", mas nunca "eu pertenço" ou "eu sou membro". George Barna comenta esta maneira de proceder: "A média dos adultos pensa que pertencer (ser membro) a uma igreja é bom para os outros, mas um fardo desnecessário para si mesmos".[3]
Portanto, hoje, no século XXI, vemos um fenômeno inimaginável em qualquer outro século: cristãos sem igreja. Há um grande rebanho de cristãos confessos que vivem como nômades, sem responsabilidade, disciplina ou discipulado, alheios aos benefícios normais da comunhão com a igreja.
Como disse Cipriano (Pai da igreja, século III),[4] eles têm Deus como Pai, mas rejeitam a igreja como mãe e, como resultado, são incompletos e têm seu crescimento retardado. A tragédia é grande e complexa, porque as estatísticas indicam que os homens estão muito menos comprometidos com a igreja do que as mulheres[5] — produzindo inevitavelmente uma liderança contraída.
Quanto à razão pela qual a Igreja caiu em tempos tão difíceis, historiadores revelam que uma forte ênfase ao "invisível corpo de Cristo", dada pelos líderes evangélicos, produziu um descaso implícito pela igreja visível. No entanto, no Novo Testamento a filiação à Igreja invisível, sem participação em uma comunidade local, não é considerada. [6]
Outra razão para a desagregação de muitos cristãos é
1) O histórico individualismo do cristianismo evangélico; e
2) O aprofundamento do impulso contra a autoridade.

A tendência natural é pensar que se necessita apenas de um relacionamento individual com Cristo e com nenhuma outra autoridade. Este pensamento produz soldados cristãos solitários que demonstram sua coragem lutando não na igreja, mas indo sozinhos ao mundo, com a Bíblia na mão como sua bandeira, para enfrentar sozinhos a batalha contra este mundo fora-da-lei.
Este pouco caso pela doutrina da Igreja é estranho, para não se usar outra expressão mais grave. Ele ignora não apenas as Escrituras, mas o consenso dos doutores da Igreja. Agostinho, em Enchiridion, detém-se na igreja visível, dizendo:
“Pois, fora da igreja eles [os pecados de cada um] não conseguem nenhuma remissão. Pois é a igreja, em particular, que recebeu a determinação, o Espírito Santo, sem o qual, nenhum pecado recebe remissão” [7].

Agostinho não podia conceber alguém ser regenerado e, ainda assim, estar separado conscientemente da igreja visível: "O desertor da igreja não pode estar em Cristo, uma vez que não está entre os membros de Cristo”. [8]
Martinho Lutero semelhantemente declarou: "Fora da Igreja cristã, não há salvação ou perdão de pecados, mas uma morte eterna e maldição; embora possa existir uma magnificente aparência de santificação...”. [9]
Calvino repetiu o pensamento de Cipriano de que a evidência de ter Deus como Pai é ter a igreja como mãe. Na realidade, ele dá o subtítulo: "A Igreja Verdadeira com a qual, como Mãe de Todos os Santos, Devemos Manter a Unidade" ao primeiro capítulo do livro IV de seus Princípios. [10] E, em seus comentários sobre Efésios, escreve: "A igreja é a mãe comum de todos os santos, que traz alimento e governa no Senhor, tanto reis, como o povo; e isto é feito pelo ministério. Aquele que negligencia ou despreza esta ordem quer ser mais sábio que Cristo. Ai de seu orgulho!”. [11]
Os crentes em Cristo, por isso, deveriam zelosamente guardar e promover a unidade da igreja. Calvino disse: “Existe apenas uma noiva de Cristo e essa noiva é a totalidade de todos os cristãos neste mundo” (Comentário sobre o salmo 133:1). Ele diz ainda: “Unidade e unanimidade são necessárias quando a igreja deseja persistir neste mundo”. Em seu Comentário sobre o Salmo 47:10, ele escreve que “a unidade da igreja consiste no fato de que aquele povo é santamente preparado para seguir a Palavra de Deus, de modo que há um rebanho e um pastor”.
Desde que existe apenas uma igreja, argumenta Calvino, fora dela não há salvação. A razão para isto é que Deus confiou somente a ela o ministério da Palavra e os sacramentos como meios de graça. Esta linguagem forte foi mais tarde modificada na Confissão de Fé de Westminster em 1647 quando ela declarou que fora da igreja de Cristo não existe “qualquer possibilidade ordinária de salvação”. Há exceções, mas, estas apenas provam à regra que nós somos dependentes da igreja como nossa mãe para a dispensa de todos os benefícios salvíficos que Cristo obteve para os crentes. Calvino explica a crucial importância do ministério dela deste modo:

“Contudo, uma vez que agora nosso propósito é discorrer acerca da Igreja visível, aprendamos, mesmo do mero título mãe, quão útil, ainda mais, quão necessário nos é seu conhecimento, quando não outro nos é o ingresso à vida, a não ser que ela nos conceba no ventre, a não ser que nos dê à luz, a não ser que nos nutra em seus seios, enfim, sob sua guarda e governo nos retenha, até que, despojados da carne mortal, haveremos de ser semelhantes aos anjos (Mateus. 22:30). Porque nossa fraqueza não permite que sejamos despedidos da escola até que tenhamos passado toda nossa vida como discípulos” (Institutas, IV.I, iv).

             A lógica aqui é surpreendente. Se Deus é nosso pai através da regeneração, a igreja deve ser nossa mãe que nos traz ao nascimento e nos alimenta para a vida espiritual (Gálatas 4:8-22; Hebreus. 5:13-6:1). A igreja, como a noiva de Cristo, diz Calvino,

“... é o ventre no qual o descrente infértil encontra o evangelho, [ela] está impregnada pelo Espírito Santo pela pregação da palavra. É ela que nos nutre, alimentando-nos em seu seio com o leite puro do evangelho, dando-nos mais tarde o alimento sólido da sã doutrina e do discipulado. Ela nos guia com sua longa sabedoria, ensinada a ela pelo Espírito Santo da Palavra de Deus, pelos longos tempos da sua história – a mesma sabedoria de Deus em Cristo, a quem ela se submete. E o seu noivo divino-humano cuida dela, conduzindo-a e amando-a, ensinando-nos através da sua palavra e por meio do seu Espírito – em sua igreja”.


A Confissão Suíça, ou Second Helvetic Confession ("A Segunda Confissão Helvética"), apresenta a idéia ainda com mais força:
Da mesma forma que não houve salvação fora da arca de Noé, quando o mundo foi destruído pelo dilúvio; cremos que não haja certeza de salvação fora de Cristo, que se oferece a si mesmo para ser usufruído pelos escolhidos na igreja; e, quando ensinamos que aqueles que querem viver não podem ser separados da verdadeira Igreja de Cristo (Capítulo 27).[12]

Finalmente, a Westminster Confession ("A Confissão de Westminster") refere-se "à igreja visível... fora da qual não há uma possibilidade ordinária de salvação" (Capítulo 25.2).[13]
Concluímos, então, que os caronas da igreja, os que perambulam pelas igrejas, os soldados solitários, cristãos que desdenham a congregação, são aberrações na história da Igreja cristã e estão cometendo um grave erro.

A DOUTRINA DA IGREJA
Não há texto capaz de inflamar a alma de alguém como Hebreus 12.22-24, que descreve sete maravilhas que o cristão experimenta na igreja:

Mas tendes chegado ao monte e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia e à igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados, e a Jesus, o Mediador, e ao sangue da aspersão, que fala cousas superiores ao que fala o próprio Abel.

1) Primeiro, vimos à cidade de Deus — você chega ao monte e à cidade do Deus vivo a Jerusalém celestial. O monte era o local da fortaleza dos jebuseus, que Davi capturou e transformou no centro religioso de seu reino ao trazer a arca do Senhor à presença de Deus. Quando Salomão construiu o Templo e instalou a arca, Sião e Jerusalém tornaram-se sinônimos da morada terrena de Deus. Em Cristo, nós nos tornamos a Jerusalém espiritual, vinda do alto. Num certo sentido, isto ainda está por acontecer, mas, ao mesmo tempo, nós já o atingimos. Os cristãos são cidadãos dos céus e podem usufruir de seus privilégios.

2) Em segundo lugar, no momento em que a igreja se encontra com os anjos, milhares e milhares deles, numa comunhão de alegria. Moisés nos conta que "miríades de santos" assistiram à entrega da Lei (Deuteronômio 33.2), e de Daniel ouvimos "milhares e milhares o serviam, [os povos daquela época — Deus]; miríades e miríades estavam diante dele" (Daniel 7.10). Davi disse: "Os carros de Deus são vinte mil, sim milhares de milhares", milhares de anjos (Salmo 68.17). Na igreja, nos deparamos com esse desconcertante número de anjos, todos em celebração de alegria. Eles estão por toda parte poderosos e ardentes espíritos, "espíritos ministradores enviados para serviço, a favor dos que hão de herdar a salvação" (Hebreus 1.14), entrando e saindo de nossas vidas, movendo-se ao nosso redor e sobre nós, a exemplo do que fizeram a Jacó.

3) Em terceiro lugar, chegamos aos companheiros crentes — "à igreja dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus". Jesus era o primogênito por excelência, e, em virtude de nossa união com Ele, nós somos primogênitos. Todos os direitos de herança vão para o primogênito — a nós, "co-herdeiros com Cristo" (Romanos 8.17). Na igreja fazemos mais do que entrar um na presença do outro — há verdadeira comunhão.

4) Em quarto lugar, chegamos a Deus — "Chegais a Deus, o Juiz de todos os homens". Chegamos com temor, porque Ele é o Juiz — mas não nos aproximamos com um temor covarde, porque seu Filho assumiu o julgamento por nós. Este é o nosso maior gozo — reunir-nos diante de nosso Deus!

5) Em quinto lugar, chegamos triunfantes à igreja celestial — "aos espíritos dos justos aperfeiçoados". Embora estejam nos céus, compartilhamos a solidariedade com aqueles que partiram antes. Dividimos os mesmos segredos revelados e alegrias que Abraão e Moisés e Davi e Paulo.

6) Em sexto lugar chegamos a Jesus, o mediador da nova aliança. Jesus mediou nossa reconciliação com seu sofrimento, morte e ressurreição. No Sinai, Moisés foi o intermediário. Mas o Monte Sinai representa o que era temporário, o que acabou. Mas agora temos uma nova aliança e Jesus é o mediador desta aliança eterna. Não temos de olhar para Moisés e sim para Jesus que é o que remove a culpa e intercede por nós.

7) Em sexto lugar, atingimos o perdão, por causa de Jesus que foi aspergido   sangue derramado "e o sangue derramado que fala melhor que o sangue de Abel". O sangue de Abel clamou por condenação e julgamento, mas o sangue de Cristo proclama que estamos perdoados e temos paz com Deus. Aleluia!

As Escrituras dizem que, na igreja, "conquistamos" (jál) estas sete sublimes realidades: 1) A cidade de Deus, 2) miríades de miríades de anjos, 3) irmãos crentes, 4) a presença de Deus, 5) o triunfo da igreja, 6) a presença de Deus e 7) o perdão!
Se isto não criar uma fonte de graça em seu coração e uma ansiedade pela comunhão com a igreja visível, nada mais o fará!
John Bunyan certa vez contou que caiu em desânimo por vários dias, procurando desesperadamente uma palavra de Deus que viesse ao encontro de suas necessidades — e, então, este mesmo grande texto veio a suas mãos. Bunyan escreveu:
Mas a noite não foi boa para mim; eu já havia experimentado melhores. Ansiava pela companhia de algumas pessoas de Deus com quem eu pudesse partilhar o que Ele me havia mostrado. Cristo era um Cristo precioso para minha alma naquela noite. Eu pude deitar-me em minha cama, como raramente fizera, com alegria e paz e triunfo através de Cristo. [14]

Temos que olhar para estas imagens deslumbrantes do Novo Testamento, num esforço de elevar nossos pensamentos às alturas. Como igreja, somos:
1)  realmente o corpo de Cristo (Efésios 1.22,23). Ele é a Cabeça e, como membros de seu corpo, temos ao mesmo tempo profunda unidade, diversidade e mutualidade.
2) Somos um templo (Efésios 2.19-22). Ele é a pedra angular, e nós, as pedras vivas (1 Pe 2.5), formando um lugar vivo de louvor.
3) Nós somos a Noiva (Efésios 5.25-33). E Cristo, nosso Noivo, nos ama com um amor santo que nos levará às bodas do Cordeiro.
4) Somos suas ovelhas, e Ele, nosso Bom Pastor (João 10.14-16,25-30).
5) Ele é a Videira, e nós, os ramos. Estamos organicamente nEle, retirando dEle todo o sustento de nossas vidas  (João 15.5).

O que deveria esta verdade de que somos Igreja significar para nós? Deveria encher-nos com profunda gratidão, com ação de graças. Temos de cantar: "Sou seu corpo, seu templo, sua noiva, sua ovelha, seus ramos. Eu vim à sua cidade, aos anjos, aos irmãos, ao próprio Deus, à igreja glorificada, a Jesus, ao perdão pelo sangue de Cristo".
Esta doutrina ainda nos conta que a Igreja sobreviverá ao mundo. Harry Blamires escreveu:
O mundo é como um trem expresso, dirigindo-se para o desastre — talvez, rumo à destruição total. E, nesta situação verdadeiramente desesperada, alguns passageiros correm para cima e para baixo nos corredores, anunciando uns aos outros que a Igreja está em grande perigo! Seria hilariante, não fosse tão séria a situação. Porque a maioria dos membros da Igreja já saltou em estações intermediárias. Nós mesmos estaremos saltando em breve, de qualquer maneira. E, se a colisão acontecer e o mundo transformar-se em cinzas, a única coisa que sobreviverá ao desastre será obviamente a Igreja. [15]

Pessoalmente, creio que fazemos parte da maior instituição que o universo jamais conheceu, e que somos tragicamente diminuídos, por não participarmos do corpo de Cristo. Da mesma forma, a igreja também é diminuída por nossa não-participação. Eu e você precisamos da igreja! As Escrituras são muitíssimo claras com relação a isto: "Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima" (Hb 10.25).
Esta franca exortação tem de ser suficiente. Mas há outras fortes razões para nossa participação fiel na igreja, das quais, como argumentou Cipriano, a menos importante não é a de que todos nós precisamos ter uma mãe. A igreja certamente foi isto para mim. Ela foi o ventre materno que aqueceu minha alma, até que eu estivesse pronto para nascer.
A igreja me deu o leite da Palavra através do poderoso ensino de meu professor do College Department, Robert Seelye. Acompanhou-me durante os tempos difíceis através das orações de minhas mães espirituais, como Roselva Taylor. Foi O ventre e o berço de minha esposa também. Quando nossos filhos nasceram, ficava ao nosso lado no momento em que os dedicávamos a Deus. Também foi a mãe de meus melhores amigos.
Devo muito à igreja: Ela me gerou, deu-me à luz e me alimentou até agora com sua palavra, seu conforto e paz. Devemos crer na igreja! (como confessamos no Credo Apostólico: “Creio no Espírito Santo; na santa Igreja universal; na comunhão dos santos”).


Entendo, então, que precisamos da proteção maternal da igreja. E, jamais usufruiremos de seus benefícios separados da Cabeça. Toda a vida cristã gira em torno de compromisso — em primeiro lugar e acima de tudo com Cristo, mas também com a igreja, a família, amigos e ministério. Nenhum destes florescerá sem compromisso.
Por exemplo, o casamento nunca poderá produzir a segurança, a satisfação e o crescimento que promete, a menos que haja um compromisso. É por isso que os casamentos de hoje estão durando cada vez menos. O compromisso de viver os bons e maus tempos é o que faz o casamento solidificar-se.
Numa definição elementar, você não precisa ir à igreja para ser cristão.
Tampouco precisa ir para casa para ser casado. Mas, em ambos os casos, terão um relacionamento muito deficiente.
Dentre os benefícios do compromisso que induzem ao crescimento da igreja, estão:
·                    O louvor — a alma é unida a Deus numa única comunidade de louvor.
·                    Ouvir a Palavra a alma é nutrida com o alimento correto, trazendo saúde para todo o ser.
·                    Participar da Mesa do Senhor você se sente renovado ao agradecer a Deus pela obra restauradora de Cristo.
Nós te saboreamos, ó Pão vivo, E ansiamos por festejar-te. Bebemos de ti, ó Manancial,
Para matar a sede de nossas almas por ti (Bernard de Clairvaux)
·                    Discipulado um necessário aprofundamento é alcançado, que o não - comprometido jamais conhecerá.
·                    Visão e missão uma visão sobrenatural pela vida toma lugar, o que resulta em missão.
Precisamos da igreja porque as Escrituras assim o determinam, porque precisamos de uma mãe e porque, sem esse compromisso, não cresceremos.

A DISCIPLINA DA IGREJA
Não importa quem você seja — presidente da república, executivo ou líder eclesiástico — ou o quanto esteja ocupado, a igreja tem de ser o verdadeiro centro de sua vida. O carona de igreja é uma aberração — assim como o compromisso frouxo.
Os crentes do tipo "agente livre", que vivem experimentando igrejas, uma temporada aqui outra acolá, jamais alcançarão maturidade espiritual. Neste início de século XXI, tanto a Igreja quanto o mundo precisam de homens que pratiquem a disciplina da igreja.
Disciplina da Freqüência Regular
Você precisa comprometer-se com a freqüência regular aos cultos de louvor de sua igreja. Sua agenda precisa curvar-se a este compromisso. Quando viajar, programe-se para estar de volta à igreja e, se isto não for possível, compareça a um culto em outro lugar.
Disciplina da Congregação
Se você não é membro da igreja, precisa comprometer-se diante de Deus a encontrar uma boa igreja, afiliar-se a ela, apoiá-Ia e submeter-se à sua disciplina. -,
Disciplina da Contribuição
O apoio financeiro à igreja deve ter precedência sobre os seus compromissos para-eclesiásticos, e precisa ser regular e sistemático (dez por cento é um bom ponto de partida).
Disciplina da Participação
Seu tempo, talentos, habilidade e criatividade devem fluir sobre a igreja, para a glória de Deus.
Disciplina do Amor e Oração
Timothy Dwight, herdeiro dos puritanos e maior presidente da Universidade de Yale, escreveu:

Eu amo tua igreja, ó Deus!
Suas paredes se estabelecem diante de ti.
Amada como a menina de teus olhos.
E esculpida em tua mão.
Por ela minhas lágrimas cairão;
Por ela minhas orações se elevarão;
Para ela meus cuidados e minha labuta serão dados,
Até que a labuta e os cuidados se extingam.  





[1]              Foi presidente dos Estados Unidos da América entre 1953 e 1961 e comandante supremo das forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial, tendo sido designado para este posto em 1943.
[2]              Robert W. Patterson, "In Search ofthe Visible Church" ("Em Busca da Igreja Visível"), Chistianity Today, 11 de março de 1991, vol. 34, n° 3, p. 36.

[3]              George Barna, The Frog in the Kettle (Ventura, CA: Regal Books, 1991), p. 133.
[4]          Alexander Roberts e James Donaldson, eds., The Ante-Nicene Fathers, vol. 5 (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1951), p. 384.
[5]              Leadership, inverno de 1991, vol. 12, n° 1, p. 17.

[6]              Robert L. Saucy, The Church in God's Program (Chicago: Moody Press, 1972), p. 17, escreve: "Quanto a ser membro da Igreja invisível à parte de pertencer a uma igreja local, este é um conceito jamais considerado no Novo Testamento. A Igreja invisível é a comunhão de todos os crentes que se reúnem nas assembléias locais, visíveis".
[7]              Ernest Bevans, trad., Saint Augustine's Enchiridion (Londres: S. P. C. K., 1953), p. 57; ver também As Institutos da Religião Cristã, de Calvino, vol. 2, n° 10.
[8]              John Burnaby, Augustine: Later Works (Filadélfia: Westminster Press, 1955), p. 368, citando a primeira Homilia de Agostinho sobre 1 João 1.1-2.11.

[9]              Robert H. Fischer, ed., Luther's Works, vol. 37 (Filadélfia: Mullenberg Press, 1961), p. 368.
[10]            As lnstitutas da Religião Cristã.
[11]            David W. e Thomas F. Torrance, eds., Calvin's Commentaries, The Epistles 4 Paul the Apostle to the Galatians, Philippians and Colossians, vol. 3, trad. T. H. L. Parker (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1974), p. 181.
[12]             John H. Leith, ed., Creeds oI the Churches (Richmond, VA: John Knox, 1973), p. 147
[13]            Ibidem, p. 222.

[14]            John Bunyan, Grace Abounding to the Chief oi Sinners (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1948), pp. 107 e 108.

[15]            Harry Blamires, The Christian Mind (Ann Arbor, MI: Servant, 1963), p. 153.



[i]  (Hughes, DISCIPLINA DO HOMEM CRISTÃO, 2008)