sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Seja Rico Para Com Deus!

Leitura: Lucas 12.1-34
Texto: Lucas 12.13-21

Amada congregação do Senhor Jesus e visitantes,

Qual seu conceito sobre a riqueza?
Qual seu conceito sobre a pobreza?
Qual o seu conceito sobre os ricos?
E qual o seu conceito sobre os pobres?
O que motiva você buscar ou não buscar a riqueza ou a pobreza?
E vou ser bem cuidadoso agora:
Vivemos entre extremos conceituais. O extremo do conceito socialista. O conceito socialista é que os ricos geram pobres. E, por isso, o estado deve cobrar mais dos ricos e menos dos pobres. Pois, “um país rico é um país sem pobreza”.
O outro conceito extremo é acumular capital (bens) somente para si. Não posso chamar esse conceito de capitalismo. Mas, digo que o capitalismo é bem usado para promover esse mal. Posso pagar dois salários mínimos ao meu empregado. Ele viverá melhor assim. Mas não pagarei. Pois, se pagar dois salários terei menos riqueza. Ou: Por que vou doar para asilos de velhos? Ora, é melhor para mim que eu guarde minha fortuna no banco, para gerar mais dinheiro para gozar minha velhice.
Os conceitos do socialismo e do capitalismo corrompido são extremos.
Então:
Onde devemos basear nosso conceito sobre riqueza e pobreza, sobre ricos e sobre pobres?
Qual a consideração que devemos ter pelas riquezas?
Será que os ricos geram pobres?
Será que as riquezas geram miséria?
O que é ser rico verdadeiramente?
O que é ser pobre verdadeiramente?
E falo agora sobre ser rico ou pobre para Deus.
Amados irmãos e irmãs, não são as riquezas que geram miséria diante de Deus. E nem é a minha pobreza que me faz ser rico diante de Deus.
É a avareza que gera miséria diante de Deus.
Vejam a parábola que Jesus contou. Como uma parábola é uma história com um ensino dentro. Jesus nos ensina:

Não seja louco. Não seja avarento. Seja rico para com Deus!

Esse é o tema da mensagem do Senhor para nós hoje.
Amados irmãos e irmãs, Jesus Cristo está em sua última viagem a Jerusalém quando conta essa parábola. É o estágio final de Seu ministério terreno. E a fama do Senhor era grande. As multidões cercavam Jesus (v. 1).
E no meio do aperto, provocado pela multidão, um homem falou a Jesus: “Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança” (v.13).
Não sabemos muita coisa sobre esse homem que falou a Jesus. Quem ele era. De onde ele vinha. Se ele era o irmão mais novo ou do meio. Não temos detalhes. Não sabemos muito sobre ele.
O que sabemos?
Sabemos que ele se sentia defraudado por seu irmão.
Sabemos que a Lei regulava a partilha das heranças (patrimônios, bens deixados para filhos ou parentes). E sabemos que cabia aos juízes do povo resolverem essa questão (vejam em casa: Deuteronômio 21.15-17; Nm 27.8-11; e o cap. 36 deste).
Sabemos também que brigas por causa de herança são comuns na vida. Essas brigas trazem muita tristeza e divisão nas famílias.
Outra coisa que sabemos é que o homem considerou Jesus um Mestre, um rabino. O homem queria que Jesus julgasse sua questão. O homem queria que Jesus comprasse a briga dele. Ele disse (v. 13): “Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança”.
E outra coisa que sabemos: O Senhor Jesus não atendeu o pedido daquele homem (veja o v. 14). As vezes pensamos que o Senhor atenderá todos os nossos pedidos. Mas, não. O Senhor não atendeu o pedido daquele homem.
O Senhor foi até forte contrariando o pedido feito, dizendo (v.14): “... Homem, quem me constituiu juiz ou repartidor entre vós?” Era uma pergunta que já tinha uma resposta! A resposta era: ninguém. O Senhor Jesus não foi estabelecido juiz para julgar aquela questão. Esse julgamento cabia aos juízes do povo.
Mas, o que o Senhor Jesus fez?
O Senhor aproveitou a situação para dar uma instrução a todos. Vejam o v. 15: “Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possuí”.
Aqui temos a fonte do problema que levou aquele homem ir ao Senhor Jesus: avareza (ou cobiça).
Há dois tipos de avareza descritos na Escritura:
A avareza que é o amor pelos bens e que leva você a armazenar para si mesmo somente – é “o amor pelo dinheiro” que se fala e é reprovado em 1 Tm 6.10. É um amor tão grande por suas posses que você somente poupa. Você somente reserva para si o que é seu. Essa avareza é mais passiva. Você não fica buscando adquirir novos bens, nem defraudar ninguém. Mas, também essa avareza leva você a não promover o bem do próximo.
E o outro tipo de avareza é uma paixão que leva você a, por prazer, querer mais e mais, ter e ter, e ter ainda mais possessões para si somente. Essa avareza é ativa. É violenta. Você pode até usar de força e defraudação do próximo para conseguir bens que você não tem.
A palavra usada por Jesus se refere a esse último tipo de avareza: uma paixão maligna que leva você a querer mais e mais, ter e ter, e ter ainda mais possessões para si somente.
Esse era o tipo de avareza que Jesus se referiu no v. 15. Talvez tenha sido a avareza do irmão do homem que buscou Jesus. Ou, talvez, era o sentimento do homem que buscou Jesus. Quem nos garante que ele não estivesse cobiçando a porção do primogênito?
Bem ... mas, o que importa no momento?
É o claro ensino de Jesus: Não seja louco. Não seja avarento. Seja rico para com Deus!
A parábola do rico insensato serve para fixar esse mandamento (vs. 16-20).
O avarento é o rico fazendeiro da parábola.
E Jesus ilustrou bem o avarento:
O avarento é soberbo. Ele não pediu conselho a ninguém. A sabedoria da Palavra não importava para Ele. Deus não existe para o avarento. O conselheiro dele é o seu coração cobiçoso (v. 17).
O avarento não considerava as riquezas como bênçãos de Deus. Notem: o homem rico falava “meus frutos” (v. 17), “meus celeiros”, o “meu produto”, “os meus bens”. As riquezas são presentes de Deus (o SENHOR enriqueceu Abrão e dobrou a riqueza de Jó). Mas, o cobiçoso não considera as riquezas como presentes de Deus.
O avarento não pensava no próximo quando planejava a administração das bênçãos de Deus. O homem rico somente planejou ampliar os seus celeiros. Reter os bens somente para si mesmo (v. 18). Ele somente entesourou para si mesmo. Não pensou em voluntariamente distribuir aos necessitados.
O avarento se achava autossuficiente (não precisa de Deus) e o dono de si mesmo: Notem que o homem rico pensava (vs. 18,19): [eu] “farei”, [eu] “destruirei”, [eu] “reconstruirei”, [eu] “recolherei”, [eu] “direi”. E, o sentimento de se achar dono de si mesmo (v. 19): “Eu direi a minha alma”.
O avarento depositava em seus bens sua esperança no futuro, seu consolo e sua paz. O homem rico viu a abundância de seus bens. Não louvou a Deus. E planejou o seu futuro com base nessa abundância de bens (“farei” e “direi”). O cobiçoso não disse sinceramente: “se o Senhor quiser”. O homem rico dizia para si mesmo (v. 19): “... Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te [celebra, festeja].” O avarento é um materialista mesmo. É um idólatra. Pois sua confiança não está somente no Senhor. Para o avarento o futuro, o consolo e a paz se firmam em seus bens. Portanto, o Senhor Jesus ilustrou bem o cobiçoso.
Agora, chama atenção o desfecho da parábola (vs. 20,21):
Acho que alguns de vocês, em sonho, já se viram deitados sobre ou nadando em dinheiro (como o Tio Patinhas fazia nos desenhos ou nos gibis). E de repente, no melhor do sonho, surge – de longe e vai ficando mais forte – uma voz: “Acoooorda ... olha a horaaaa!” Era tão terrível acordar daquele sonho.
Assim, foi terrível para o homem rico ser acordado da loucura dele. E, na parábola, o próprio Deus é quem fala ao homem avarento. E a primeira palavra que ele ouviu foi: “Louco ...”. E depois Deus fez uma afirmação de juízo: “...esta noite te pedirão a tua alma;”. E depois Deus fez uma pergunta que levou o homem a ver a loucura dele: “... e o que tens preparado, para quem será?”.
O homem rico vivia como se Deus não existisse. Ele confiava na abundância dos seus próprios bens e na perversidade ele se fortalecia. E isso é loucura. Não ter o Senhor como fortaleza e único e verdadeiro Deus. E a avareza, que é idolatria, passa a ser a deusa daqueles que buscam entesourar somente para si.
Se caímos em avareza, então, a vida não terá posses. Mas, a vida será possuída pela avareza. E aí chegará o dia quando Deus pedirá contas. E nesse dia, veremos que a avareza é mais uma falsa deusa dos homens!
A parábola adverte: Não seja louco. Não seja avarento. Seja rico para com Deus!

Concluindo:

O pecado não é ser rico. O pecado não é ter poupança, fazer aplicações nos bancos ou investimentos na bolsa de valores. O pecado não é possuir muitos imóveis, dinheiro, carros, ou seja, riquezas. Ser rico é uma bênção de Deus. E fazer investimentos é administrar bem as bênçãos de Deus.
Não caia no engano do socialismo. E não caia também no engano do individualismo egoísta que corrompe o capitalismo. E nem ouça o falso evangelho socialista da teologia da libertação que ensina que os ricos irão para o inferno e os pobres para o céu. E nem seja levado pelo falso evangelho individualista e materialista da teologia da prosperidade.
O pecado é entesourar “para si mesmo” – diz Jesus. O pecado é a avareza. A avareza que é idolatria (Cl 3.5). A avareza que domina o coração do homem, que faz ele negar a Deus. E é o avarento que não herdará o reino de Deus (1 Co 6.10).
E a avareza não é uma idolatria que atinge somente os ricos. Não. Os ricos facilmente podem viver nesse pecado mortal. Por isso, a Escritura exorta aos ricos a serem caridosos (1 Tm 6.17-19). E dizem também que dificilmente um rico entrará no reino do céu (Mt 19.23). Mas, pobres também podem adorar a avareza. Quantos pobres deixam de comer para jogar no bicho ou na loto? E quantas vezes ouvimos de irmãos pobres: “Como posso ofertar, pois mau tenho para mim?” E quantos pobres você conhece que, movidos por cobiça, não levam seus patrões à justiça?
A avareza está no coração (Mc 7.22). É uma obra da nossa natureza caída (Cl 3.5). É um pecado que se infiltra na igreja (1 Co 5.10,11). E, por amor a Cristo Jesus, devemos abominar a avareza. A avareza enlouquece e leva homens para o inferno (1 Co 6.10).
Jesus nos alertou a nos protegermos da avareza. E o Senhor nos chamou a sermos ricos para com Deus.
Agora, como nos tornamos ricos para com Deus?
Na vida terrena nos tornamos ricos por meio do trabalho, por meio de herança ou por meio de roubo. Mas, na vida espiritual, nos tornamos ricos somente por herança.
A herança que vem pelo trabalho de Cristo Jesus. Pois, Jesus se fez pobre para nos conquistar as riquezas da graça de Deus. Apesar do SENHOR ser o Herdeiro de toda a Criação, Ele encarnou, nascendo como pobre. Viveu como um pobre. Morreu como um miserável maldito na cruz. Mas, ressuscitou em glória e está em glória para nos fazer herdeiros da Sua gloriosa riqueza e herança. E essa herança é nossa somente quando por verdadeira fé cremos em Cristo Jesus.
Quando pela fé confiamos em Cristo, então, somos feitos filhos de Deus e coerdeiros de Cristo. Recebemos a riqueza da graça de Deus, do perdão dos pecados, da justiça de Cristo, do amor de Deus, do Espírito Santo e a promessa de herdarmos a terra (Gl 3.1-14).
Posso ser nessa vida pobre como o mendigo Lázaro, ou, como a viúva velhinha que ofertou a Deus tudo o que tinha. Ou posso ser rico como José de Arimatéia, ou, como Lídia. Estes como aqueles são os verdadeiros ricos, pois, estão em Cristo Jesus. Eles compreenderam que eram miseráveis pecadores. Eles buscaram a Cristo Jesus não em busca de tesouros e heranças dessa terra. Mas, em busca da salvação em Cristo somente. Então, somente em Cristo podemos ser ricos para com Deus.
E alerto a todos:
Na vida terrena existem várias classes sociais: os ricos, a classe média, os pobres e os miseráveis. Mas, na vida espiritual não. Somente duas classes sociais existem: Ou você é rico ou você é miserável.
Em qual classe você está?
Se está em Cristo você é verdadeiramente rico. Se está fora de Cristo, você pode até nadar em dinheiro, mas é um miserável pecador.
Se está em Cristo, você tem a salvação eterna e riquezas que acompanharão você após a sua morte física. Você não será condenado por Jesus Cristo – no juízo Ele julgará os avarentos. Mas, se você está fora de Cristo, então, saiba que nu você veio ao mundo e nu você sairá dessa vida (1 Tm 5.7). E, pior, despido da justiça de Cristo. E essa justiça de Cristo que nos veste e nos livra da ira eterna de Deus.
Por isso, quem, pela graça de Deus, entendeu a parábola do homem rico se protegerá da avareza. Não será louco de continuar na avareza. Buscará Cristo Jesus, a fim ser feito rico para com Deus! Pois, somente em Cristo Jesus reside a nossa riqueza diante de Deus. E somente a riqueza que temos em Cristo nos acompanhará após a morte física. Assim, somente em Cristo, pela fé, podemos dizer a nossa alma: “... tens em depósitos muitos bens; descansa, come, bebe e regala-te [celebra, festeja]. Pois somente em Cristo gozaremos eternamente, em corpo e alma, toda herança que Ele conquistou graciosamente para nós.

Amém.
Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama expondo o texto de Lucas 12.13-21.

Devemos Honrar Nossos Pais e Superiores, Pois Deus Nos Governa Pelas Mãos Deles.

Texto: Dia do Senhor 39
Leitura: Êxodo 20.12; Romanos 13.1-7.

Amados irmãos e irmãs,

Nós testemunhamos um tempo de crise de autoridade. Prega-se anarquia e rebeldia abertamente (em nosso país). Veja o apoio dos políticos a protestocracia – governo por meio de protestos.
Notem virou moda:
As reivindicações se fazem com pneus em chamas, com barricadas nas ruas, com os grupos terroristas como o Black Bloc, o quebra-quebra organizado. E a imprensa vive repetindo a mentira do protesto “pacífico”. São protestos “pacíficos” que criam desordem, que trazem medo aos cidadãos, que tiram nosso direito de ir e vir, que param os serviços essenciais à boa ordem. E o que dizer das greves? Que tipo de direito greve desrespeita o direito de quem não quer fazer greve?
A moda é dizer: Temos que ouvir as vozes da rua.
E nossos magistrados têm ajudado os organizadores dessa protestocracia. Um deputado continua a ser deputado mesmo depois de ser condenado. E a suprema corte do Brasil ajuda a quadrilha que tentou sequestrar o poder mediante a arma do mensalão. E policiais que cumprem a lei, combatendo bandidos são penalizados pelos superiores.
As vozes e as manifestações da rua somente mostram que a ordem está ameaçada. Há uma inversão de valores. A rebelião contra as autoridades é instituída. Parece que é somente uma questão de tempo para uma grande revolta acontecer no Brasil.
Agora, estamos nós (em meio, cercados) nessa bagunça. Mas, não é a primeira vez que os crentes passam por tempo de crise. A época da Reforma foi um tempo de crise de autoridade também. As autoridades praticaram muitas injustiças contra crentes que abraçaram a fé reformada. Muitos crentes tiveram seus bens e títulos confiscados, foram perseguidos, outros aprisionados e mortos pelas autoridades romanistas. Mas, qual foi o ensino reformado para orientar os crentes no tempo de crise e de injustiças? Será que a doutrina reformada ensina a revolução e o desrespeito contra as autoridades instituídas?
Essas perguntas servem para introdução da mensagem de Deus para nós hoje. A mensagem é a seguinte:

Honremos a todos aqueles que Deus colocou sobre nós.
Amados irmãos e irmãs, o mandamento do SENHOR é (Êxodo 20.12): “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá”.
A palavra “honra” está no texto.
E o que é honrar?
Honrar é mais do que obedecer. Honrar significa considerar, estimar, enobrecer, dar importância. E honrar tem a ver com amor. Honro a quem amo. Quem honra de verdade ama de verdade. O amor nos leva a honrar.
Agora, a quem devo honrar?
O mandamento fala da honra ao pai e a mãe: “Honra teu pai e tua mãe ...”. Então, dentre os homens, nossos pais são os primeiros dignos de honra.
Porém, segundo a Escritura, os termos “pai” e “mãe” são também usados para os profetas, os mestres e os magistrados do povo de Deus. Por exemplo, José disse que era pai de faraó (Gênesis 45.8). Isso significava que ele guiava Faraó e governava o povo egípcio. Débora, a juíza, disse que era mãe de Israel (Juizes 5.7). Débora foi “mãe de Israel” porque Deus deu a ela autoridade sobre Seu povo. No Novo Testamento os apóstolos instruíram às igrejas como pais instruem a seus filhinhos (Gálatas 4.19; 1 João 2.1,2). Então, notem que Deus usa as palavras “pai” e “mãe”, para designar as autoridades que Ele colocou sobre nós: em nossas casas, na igreja e no estado.
O Catecismo segue a Escritura quando ensina o quinto mandamento (veja R. 104). O Catecismo coloca de modo bíblico, a exigência e abrangência do mandamento: devemos honrar nossos pais, nossas mães e nossos superiores.
E qual a base de nossa obediência aos nossos superiores?
É o cinturão de papai e o chinelo de mamãe?
É o medo de ser punido?
É um contrato social?
É nosso compromisso partidário ou sindical?
Não.
Honramos nossos superiores, porque é a vontade de Deus.
Notem o que diz o Catecismo (veja a parte final da R. 104): “... é a vontade de Deus nos governar pelas mãos”. “das autoridades”. E essa afirmação se apoia na Escritura. Pois lemos, na Palavra de Deus:
Os filhos são exortados a obedecerem aos pais, pois isso é justo (agrada a Deus – Efésios 6.1).
Da mesma forma, as esposas são submissas aos esposos por causa de Cristo. E os servos servem aos senhores por causa de Cristo (Efésios 5.22-24; 6.5-8).
E os membros obedecem aos oficiais da igreja por causa da vontade do SENHOR (Hebreus 13.17).
E nós (todos) respeitamos os magistrados e pagamos os nossos muitos impostos, pois é também a vontade de Deus (Romanos 13.1-7).
Então, por que você honra seus pais e as demais autoridades?
Porque é a vontade de Deus nos governar pelas mãos delas. E você ama a Deus e deseja fazer a vontade de Deus.
Por isso, quando nossos filhos mostram rebeldia devemos apresentar a eles - logo bem cedo - : “Filho não seja rebelde ao governo de Deus”. Mude de atitude. Não há felicidade na rebelião contra o Senhor. É vontade de Deus que você seja governado por papai e mamãe.
Falo especialmente aos jovens – quando o mundo estiver dizendo a você jovem: Não há nenhum senhor sobre você. Você é senhor de sua vida. Saiba (meu jovem irmão) que isso é uma mentira grosseira.
Nós temos um SENHOR que colocou senhores sobre nós. Em certo sentido, ninguém na terra é livre. Somente tem um Soberano SENHOR. E esse Soberano colocou autoridades sobre nós.
O evangelho diz (Romanos 13.1,2): “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas”. E “... é a vontade de Deus nos governar pelas mãos deles”. Por isso, devo demonstrar “... toda honra, amor e fidelidade a meu pai e à minha mãe, e a todos os meus superiores;...”. Esse é o ensino bíblico. E quando, pela fé, obedecemos essa instrução temos a promessa de vida longa e abençoada por Deus.
A anarquia e rebeldia estão no coração do homem. Elas chegaram com a Queda em pecado. E continuam presentes na história da humanidade. Mas, a doutrina bíblica não apoia a rebeldia, a rebelião e a desonra as autoridades. Pelo contrário, nos ensina o desejo de Deus: “... que eu me submeta a boa instrução e disciplina vinda deles e que também seja paciente com as suas fraquezas e defeitos.” E a doutrina bíblica não promete sucesso e felicidade para os rebeldes. A promessa para o rebelde é vida curta. É maldição.
Agora, somente somos autorizados a desobedecermos às autoridades quando a ordem delas vai contra a Palavra de Deus. Ai nós não devemos ser submissos às autoridades. Por exemplo: Se seu marido ou seus pais proíbem você de vir para os cultos. Você, com amor e honra, deve dizer: não posso obedecer a esse mandamento. Siga o exemplo de Pedro (Atos 5.29): “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens”. E, essa verdade se aplica a todos que estiverem debaixo de autoridade: empregados, soldados, servidores públicos e membros da igreja. Porém, precisamos orar para discernirmos como aplicar essa verdade.
Agora, quem aqui se acha capaz de cumprir esse mandamento?
Acho que ninguém. Ninguém aqui é capaz de cumprir o quinto mandamento.
A nossa natureza humana nos inclina a rebeldia contra Deus. Nossa carne deseja desonrar ao Senhor. E, além de nossa rebeldia carnal, é uma luta para nós cumprirmos o quinto mandamento sendo governados por pais, maridos e oficiais fracos e pecadores, por patrões injustos e governantes corruptos.
E o que nos resta (então)?
É confiar que a nossa salvação está em Cristo. Ele foi quem, mesmo sendo Deus, encarnou para cumprir perfeitamente o quinto mandamento por nós. Ele foi submisso ao Pai em tudo e por obediência morreu para nos salvar (Filipenses 2.5-8); Foi submisso aos seus pais que eram pecadores (Lucas 2.48-52). Você imagina o santo e perfeito Deus se submetendo a pais pecadores e imperfeitos?
O Senhor Jesus foi submisso as autoridades corruptas e injustas como César e Pilatos (Mateus 22.21; João 19.11).
Nós buscamos cumprir o quinto mandamento não para sermos salvos. Nós queremos ser gratos a Deus. E buscamos a graça do Espírito Santo para podermos nos deixar sermos governados pelas autoridades, e, o mais difícil para nós, sermos pacientes com as fraquezas e defeitos de nossos pais e superiores. E assim, testemunharmos ao mundo rebelde e anarquista que Cristo salva e transforma pecadores rebeldes. Que Cristo, por Seu Espírito e Palavra, nos concede um novo coração que se agrada em ser governado por Deus, nosso Pai.
E, no término desse sermão, vamos encerrar lendo o Artigo 36 da Confissão Belga. Essa confissão foi escrita na época da reforma. E o autor dessa confissão, Pr. Guido de Brés, foi assassinato pelas autoridades em praça pública. E em praça pública, mesmo sabendo de sua inocência, exortou os crentes a honrarem a Deus e as autoridades. Ele fez isso segundos antes de ser pendurado pela corda da força. Então, pela doutrina bíblica ensinada em nossas confissões reformadas, honrarmos a todos aqueles que Deus colocou sobre nós (leiamos nós juntos o Artigo 36 da Confissão Belga agora). O “amém” será dado depois da leitura desse artigo.
Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama sobre a doutrina bíblica ensinada no Dia do Senhor 39.

Textos:
Catecismo de Heidelberg
Dia do Senhor 39
P.104. O que exige Deus no quinto mandamento?
R. Que eu demonstre toda honra, amor e fidelidade a meu pai e à minha mãe, e a todos os meus superiores; que eu me submeta devidamente às suas boas instrução e disciplina1 e que também seja paciente com as suas fraquezas e defeitos,2 pois é a vontade de Deus nos governar pelas mãos deles.3
1. Ex 21.17; Pv 1.8; 4.1; Rm 13.1, 2; Ef 5.21, 22; 6.1-9; Cl 3.18-4.1. 2. Pv 20.20; 23.22; 1Pe 2.18. 3. Mt 22.21, Rm 13.1-8; Ef 6.1-9; Cl 3.18-21.

Confissão Belga


ARTIGO 36


O governo civil

Cremos que o nosso Deus gracioso, por causa da depravação do gênero humano, estabeleceu reis, governos e oficiais civis.1 Ele quer que o mundo seja governado por leis e planos de governo,2 para restringir os excessos dos homens e para que tudo transcorra em boa ordem entre eles.3 Para isso colocou Ele a espada na mão das autoridades para castigar os malfeitores e proteger os que praticam o bem (Rm 13.4). Eles têm por ofício não apenas restringir e conservar a boa ordem pública, mas também a proteção da igreja e do seu ministério para que* o reino de Cristo possa vir, a Palavra do evangelho seja pregada em toda a parte4 e Deus seja honrado e servido por todos — como Ele determina em Sua Palavra.
Além disso, cada um, independente da sua qualidade, condição ou classse é obrigado a submeter-se aos oficiais civis, pagar os impostos, respeitá-los e honrá-los, e obedecê-los em tudo aquilo que5 não contrarie a Palavra de Deus.6 Devemos orar por eles para que Deus os dirija em todos os seus caminhos e para que “para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito” (1Tm 2.1, 2).
Em razão disso reprovamos os Anabatistas e outros rebeldes, e em geral todos quantos se opõem às autoridades e aos oficiais civis, subvertem a justiça,7 introduzem a comunhão de bens, e perturbam a boa ordem que Deus estabeleceu entre os homens.
* As palavras a seguir foram eliminadas nesse ponto, em 1905, pelo Sínodo Geral das Igrejas Reformadas da Holanda (Gereformeerde Kerken in Nederland): “toda idolatria e falso culto devem ser removidos e impedidos, e o reino do anticristo deve ser destruído”.

1. Pv 8.15; Dn 2.21; Jo 19.11; Rm 13.1. 2. Êx 18.20. 3. Dt 1.16; Dt 16.19; Jz 21.25; Sl 82; Jr 21.12; Jr 22.3; 1Pe 2.13, 14. 4. Sl 2; Rm 13.4a; 1Tm 2.1-4. 5. Mt 17.27; Mt 22.21; Rm 13.7; Tt 3.1; 1Pe 2.17. 6. At 4.19; At 5.29. 7. 2Pe 2.10; Jd .8.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Obedecer ao Quarto Mandamento Revela Quem é o Verdadeiro Deus da Igreja Cristã

Texto: Dia do Senhor 38 (Catecismo de Heidelberg)
Leitura: Êxodo 20.8-11; Deuteronômio 5.14,15; Levítico 23.3; Neemias 13.15-22

Amada congregação do Senhor,

O trabalho e o divertimento são falsos deuses. E o domingo revela essa servidão e idolatria de modo bem prático. As pessoas tem servido ao trabalho e adorado o divertimento. O comércio não se fecha mais aos domingos. E o domingo se tornou o dia da adoração ao divertimento com o esporte, com a praia, com a tv e com a ociosidade.
Será que não ouvimos:
Tenho que trabalhar aos domingos. Quem vai pôr o pão em minha mesa?
Outros: Ah, ninguém é de ferro! O domingo é o meu dia.”
Então:
Como a igreja pode revelar os falsos deuses do mundo?
Como a igreja pode revelar ao mundo quem é o Único e Verdadeiro Deus?
De modo bem prático é: Obedecendo ao quarto mandamento.
O tema de nossa pregação é:

A nossa obediência ao quarto mandamento revela o Verdadeiro Deus ao mundo e a realidade do descanso eterno

Atitudes ensinam. E ensinam mais que palavras.
Vejam o relato de Neemias. O sábado foi feito o dia comercial (Ne 13.15). O servo trabalhava no lagar e no transporte de trigo. O jumento levava a carga. Os comerciantes judeus comercializavam. E comerciantes gentios também (os tírios do v. 16). Os crentes compravam as mercadorias aos sábados. Os nobres, os homens livres e donos do comércio e do agronegócio, promovia o comércio em em Judá (no país) e também em Jerusalém.
E o que esse relato revela?
A aliança do Senhor estava sendo transgredida pela igreja.
O sábado não estava sendo o dia especial de descanso e de adoração ao Senhor. O sábado estava sendo o dia da transgressão da Lei do Senhor.
E Neemias observou o pecado do povo. Mas, ele não apenas observou. Neemias agiu. Ele protestou contra os trabalhadores que desrespeitavam o sábado (v. 16). Neemias foi aos nobres (a classe social livre, os donos de campos e de comércios). E revelou o pecado deles: a profanação do sábado (v. 17). Neemias lembrou aos nobres que fora o desrespeito ao quarto mandamento que trouxera a disciplina de Deus sobre a igreja (v.18). Neemias agiu. Não ficou parado ao ver o pecado. Ele tomou uma atitude contra a quebra do quarto mandamento da Aliança.
E vocês notaram que Neemias começou a agir dentro da igreja?
Ele não foi logo falar com os gentios. Ele protestou contra os servos. E depois contra aos nobres do povo de Deus.
E por quê?
Porque o juízo deve começar na casa de Deus. Foi com a igreja que uma aliança de graça e amor foi feita, a aliança do SENHOR. E o sábado era o sinal dessa aliança.
A igreja já havia apanhado por profanar o sábado. E a igreja na renovação da aliança havia se comprometido em santificar o sábado (veja Ne 10.31). Porém, ela não estava cumprindo seu compromisso pactual. E Neemias alertou aos nobres do perigo de quebrar a aliança e dever pactual de se santificar o dia de descanso (v. 18).
Neemias agiu na igreja. Tomou uma atitude dentro da igreja. Ordenou o fechamento dos portões de Jerusalém para impedir a entrada dos comerciantes no sábado (v. 19). Protestou contra os comerciantes estrangeiros. Enfrentou a teimosia deles. E prometeu punir os comerciantes que ficassem no portão aos sábados (v. 20,21).
Imagine o impacto da atitude de Neemias e da igreja para a vida comercial em Judá e em Jerusalém?
E qual foi o resultado da atitude de Neemias?
Daí em diante não tornaram a vir no sábado” (v. 21).
O comércio cessou aos sábados. E as portas de Jerusalém foram guardadas pelos levitas. E o sábado foi santificado (v.22). A aliança foi protegida da profanação.
A atitude de Neemias ensinou a igreja quem é o Deus dela. E a atitude de Neemias revelou a igreja e ao mundo quem é o Único e Verdadeiro Deus, o Criador e Redentor. Pois, qual mandamento explicitamente fala do Deus Criador e Redentor? O quarto. Santifiquem o sábado pois eu descansei no sétimo dia após criar tudo. E santifiquem o sábado pois fostes escravos na terra do Egito. Não são estas as bases do quarto mandamento? São.
A Nova Aliança trouxe mudanças. Ela mudou a relação entre igreja e estado. O dia de sábado não é o mesmo. Na Nova Aliança, pela prática apostólica, o dia de descanso passou a ser o domingo (At 20.7; 1 Co 16,1,2; Ap 1.10). Essa mudança é testemunhada há dois mil anos pela igreja.
A separação entre igreja e estado impede a igreja de impor aos descrentes a guarda do quarto mandamento. Mas, na Nova Aliança a igreja ainda é a igreja. E o quarto mandamento permanece hoje.
Notem o Dia do Senhor 38. O que confessamos no Dia do Senhor 38 do Catecismo? A nossa confissão é que ainda hoje temos que guardar o quarto mandamento.
E como guardamos esse mandamento?
Primeiro, os deveres com adoração pública a Deus. Esses deveres são pessoais. Mas, se exercem publicamente, diante do povo de Deus e do mundo.
O primeiro desses deveres com a adoração é o meu dever pessoal de sustentar o ministério do evangelho e as escolas cristãs.
No Catecismo o ministério do evangelho se refere ao ministério da Palavra, ou seja, tudo que torna possível a pregação do evangelho. E as escolas cristãs são as escolas que formam pastores. Esse dever é tirado do quarto mandamento. Pois, ofertas dobradas era parte da guarda do quarto mandamento (Nm 28.8-10).
E para que eram essas ofertas?
Para manterem o ministério do evangelho. Eram as ofertas que possibilitavam o culto, os sacrifícios, o sustento dos sacerdotes e o sustento da tribo de Levi (veja, por exemplo, Ne 12.44-47; 13.10).
A vinda de Cristo modificou o exercício do ministério do evangelho. Não existe mais o templo, nem sacrifícios sangrentos. E os sacerdotes e a tribo de Levi não são mais os ministros do evangelho. E a tribo de Levi não mais formam os ministros do evangelho para a igreja. Hoje temos os ministros da Palavra. E temos os seminários que formam esses ministros.
E é ensino de Jesus e dos apóstolos que a igreja sustente o ministério da Palavra e forme os ministros desse ministério (Mt 10.10; 1 Co 9.14; Gl 6.6; 1 Tm 5.17,18). Então, quando oferto para o sustento do ministério do evangelho e os seminários estou mostrando o amor e o respeito ao ensino do quarto mandamento.
Dentro de nossos deveres públicos para guardar o mandamento tem o dever pessoal de sermos diligentes (não relaxados) para irmos à igreja. O catecismo diz: “Devo ir à igreja ... para ouvir à Palavra de Deus, participar dos sacramentos, para invocar publicamente ao Senhor e para praticar a caridade cristã para com os necessitados”.
O termo “igreja” se refere ao lugar de adoração. É meu dever ir à igreja para usar os meios de graça (pregação, Ceia e Batismo e oração) e dar ofertas para o socorro dos necessitados (praticar a caridade cristã).
Outra coisa, notem que a fé reformada reconhece que há um dia especial para descansarmos e para adorarmos ao SENHOR. O catecismo diz: “ ir a igreja ... especialmente no dia de descanso ...”. O dia de descanso aqui não é o sábado da Antiga Aliança. É o domingo. Então, é o domingo o dia especial para o descanso e para o serviço de adoração ao Senhor Jesus e da comunhão dos santos.
O catecismo ainda apresenta a segunda exigência do quarto mandamento. Essa exigência não é pública. Mas, é pessoal e diária (por favor, vejam): “...para que em todos os dias da minha vida eu cesse as minhas más obras, deixe o Senhor operar em mim por Seu Espírito Santo, e assim começar nesta vida o descanso eterno.” Essa parte do catecismo nos lembra o Salmo 50 e Isaías 1.
Esses textos revelam que o SENHOR rejeitou o culto, os sacrifícios e os sábados de Seu povo (Sl 50.16-23; Is 1.13). E o motivo da rejeição foi revelado também: durante a semana o povo vivia em iniquidade.
Vocês podem compreender quando começamos a guardar o quarto mandamento?
É durante a semana.
E o guardar o quarto mandamento é viver a santificação em Cristo. Essa santificação é representada no catecismo como sendo o cessar das más obras e o deixar Cristo operar em você. E nesse viver diário de santificação ao Senhor, como o catecismo diz, nos faz provar o descanso eterno aqui e agora.
Assim o ensino do Dia do Senhor 38 nos revela como devemos exercer nossos deveres públicos e privados de diária adoração ao Senhor Deus, o Criador e Redentor nosso.

Conclusão:

A atitude do mundo, especialmente no domingo, manifesta os falsos deuses do mundo. E obedecer ao quarto mandamento é a nossa atitude prática que revelará ao mundo quem é o Único e Verdadeiro Deus. O SENHOR que nos garante o descanso eterno.
E o catecismo termina o Dia do Senhor 38 falando do descanso eterno.
E você já sabe o que é esse descanso eterno?
E o universo recriado e plenamente redimido. É o descanso que nos resta e que vem com Cristo Jesus (Hb 4.9-11).
O Senhor Jesus, no Seu retorno, como nos dias de Neemias, purificará a nova Jerusalém, que é a Igreja de Cristo. Ela será purificada de todos aqueles que não amam os mandamentos do Senhor. A igreja será plenamente purificada de todo o pecado dela. E o mundo anticristão e seus falsos deuses não existirão mais. Acabará a nossa exaustiva luta contra o mundo, contra o pecado e contra o diabo. Essa luta nos causa muito cansaço espiritual aqui. A nossa fadiga física também acabará. Pois, foi a queda que tornou nosso trabalho penoso. A terra toda será recriada e redimida. E nela reinaremos com Cristo Jesus. E nada mais impedirá a nossa adoração plena ao Senhor.
Você pode imaginar esse dia?
Você pode imaginar o descanso eterno que provaremos?
Em Cristo você terá esse descanso eterno. E no seu fiel exercício diário, deixando o Senhor trabalhar em sua vida, então, você já pode provar o descanso eterno aqui.

Creia no evangelho. E receba alento com essa verdade. E continue, por fé e gratidão, fiel ao Senhor obedecendo ao quarto mandamento. E testemunhando ao mundo quem é o Único e Verdadeiro Deus, que tem nos garantido o descanso eterno em Cristo Jesus. Amém.
Sermão preparado pelo Rev. Adriano Gama expondo a doutrina bíblica ensinada no Catecismo de Heidelberg, Dia do Senhor 38.


Catecismo de Heidelberg


Dia do Senhor 38


P.103. O que exige Deus no quarto mandamento?
R. Primeiro, que o ministério do evangelho e as escolas cris- tãs sejam mantidas1 e que eu, especialmente no dia de descanso, seja diligente em ir à igreja de Deus2 para ouvir à Palavra de Deus,3 participar dos sacramentos,4 para invocar publicamente ao Senhor 5 e para praticar a caridade cristã para com os necessitados. 6 Segundo, para que em todos os dias da minha vida eu cesse as minhas más obras, deixe o Senhor operar em mim por Seu Espírito Santo, e assim começar nesta vida o descanso eterno.7
1. Dt 6.4-9; 20-25; 1Co 9.13, 14; 2Tm 2.2; 3.13-17; Tt 1.5. 2. Dt 12.5-12; Sl 40.9, 10; 68.26; At 2.42-47; Hb 10.23-25. 3. Rm 10.14-17; 1Co 14.26-33; 1Tm 4.13. 4. 1Co 11.23, 24. 5. Cl 3.16; 1Tm 2.1. 6. Sl 50.14; 1Co 16.2; 2Co 8; 9. 7. Is 66.23; Hb 4.9-11.

domingo, 25 de agosto de 2013

As Chaves do Reino dos Céus - Pregação Fiel do Evangelho e Disciplina Eclesiástica

[1]Texto: Dia do Senhor 31
[2]Leitura: Hebreus 4.1-13; Apocalipse 3.14-22.

Amada congregação de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo,

No ultimo domingo, quando falamos quem pode vir à santa ceia, nós vimos que deve haver o exercício da disciplina na Igreja de Cristo. O catecismo chamou a esse exercício de “as chaves do reino dos céus” (resposta 82).
É vital, portanto, que o catecismo apresente a questão da disciplina. Neste assunto apresentado pelo catecismo nós descobrimos que a disciplina não é uma invenção humana, mas um mandato divino. Foi Cristo quem deu estas chaves aos apóstolos - e assim a igreja apostólica - e exigiu que estas chaves fossem usadas na igreja. Se a igreja é para ser a verdade, ou seja, uma igreja fiel, então estas chaves devem ser exercidas de acordo com a vontade de Cristo! Disciplina, portanto, é realmente uma das marcas da Igreja.
Em segundo lugar, esta expressão, as chaves do reino dos céus nos mostra que esta disciplina é muito diferente da que é aplicada ao mundo. No mundo, os governos civis podem usar meios físicos para mostrar a lei de um lugar, mas a as chaves que a igreja tem, são do reino dos CÉUS, e são, em conseqüência, de uma natureza espiritual. A igreja de Cristo exercita somente a disciplina do Espírito Santo!
Isto é claro, portanto, que Cristo coloque a igreja debaixo da disciplina do Espírito Santo. Isto fica mais evidente depois do dia de pentecostes quando o Espírito Santo foi completamente derramado sobre a igreja de Cristo. O único que motivará e controlará governará e guiará a igreja de Cristo, é o Espírito Santo, e ninguém mais. Eu proclamo o evangelho de Cristo a vocês sob o seguinte tema:

Tema: Cristo coloca a sua igreja sob a disciplina do Espírito Santo
  • 1. Esta é a disciplina da palavra de Cristo;
  • 2. Esta é uma disciplina do amor de Cristo.

1. Esta é a disciplina da palavra de Cristo
Note no tema e nos pontos da pregação que eu uso a palavra “disciplina” como a palavra chave para todo este Dia do Senhor 31 (Catecismo de Heidelberg), estritamente falando, entretanto, a palavra disciplina é usada no catecismo somente para o uso da segunda chave, a saber, a disciplina da igreja.
Quando pensamos sobre disciplina, pensamos sobre os presbíteros fazendo visitas ou anúncios públicos sendo feitos, e posteriormente a excomunhão. Pensamos estritamente em uma batalha contra o pecado. E sabemos que somente alguns membros são levados a este tipo de disciplina. Mas devemos perceber que disciplina no seu sentido verdadeiro começa muito antes do envolvimento dos presbíteros. A primeira disciplina é da Palavra de Deus, ou seja, da pregação. E esta disciplina não somente afeta alguns membros, mas toca todos os membros, domingo após domingo.
Entendemos isto melhor quando nós estudamos a palavra “disciplina”, e ficamos sabendo que a palavra vem do verbo ensinar ou instruir. Pensemos na palavra discípulos. Discípulos são as pessoas que estão no processo de aprendizado. Antes de ascender aos céus, Cristo deu este mandato aos apóstolos: ide e fazei discípulos em toda a terra através do ensino e da pregação (Mateus 28.19,20).
Em consequência, a primeira chave do reino é realmente a pregação do Evangelho. É por meio da pregação que o Espírito Santo exercita a disciplina da palavra de Cristo na igreja. A congregação inteira é colocada sob a poderosa Palavra de Deus. A igreja toda é formada, trabalhada, guiada, e governada pela Palavra de Deus.
Imaginem, então, a tarefa do pregador. Ele é essencialmente um disciplinador vindo do Espírito Santo (Efésios 4.8-12). Todo domingo, ele deve instruir as pessoas no caminho do Senhor. Ele deve usar a chave da Palavra; e com ela o pregador deve abrir ou fechar o reino dos céus. Todo sermão é sempre um teste. A pregação, que é a chave, foi bem usada? Foram as pessoas disciplinadas, ou seja, foram ensinadas em como andar no caminho do Senhor?

Este entendimento da pregação como a chave do reino dos céus, exige certas condições sobre o pregador. Torna-se claro que o pregador não pode subir no púlpito com suas próprias opiniões, mas somente com a Palavra de Deus. E caso ele venha com sua opinião ele deve deixar bem claro que é somente uma opinião e que somente a palavra de Deus é a regra. 

Isto também deixa evidente que o pregador deve ser claro quando se fala da Palavra de Deus, que também é inerrante e clara. Deve haver um sólido e sincero chamado à fé e um apelo urgente na pregação. O catecismo tipifica a pregação como que proclamando e testemunhando publicamente. Preste atenção nestas palavras: proclamar - significa apresentar com autoridade! Testemunhar publicamente -  abertamente atestar a verdade, e fazê-lo com convicção e autoridade. A pregação deve ser muito clara e reta.
A pregação deve ser feita de uma forma que ninguém saia dizendo não entendi nada do que o pregador disse hoje. Todos devem ouvir clara e de uma forma inerrante. É uma marca notável que no livro dos Atos dos Apóstolos fique registrado que eles pregavam com ousadia. Isto não significa que eles eram arrogantes, mas ao contrário, eles eram francos e destemidos, que eles falavam com convicção.
Esta ousadia é muito importante, pois os pregadores, também, são somente humanos. O Evangelho pregado também é para eles. Os pregadores, também, são algumas vezes, assediados pelos seus pecados, atacados pela dúvida, e podem ficar cheios de medo do que pode acontecer com aqueles que vão ouvir sua mensagem. Faz parte do desejo humano ser respeitado e agradável, e assim os pregadores são algumas vezes tentados a suavizar a mensagem do Evangelho, e assim não mencionar algumas coisas em sua pregação. Não é sempre fácil manter uma balança equilibrada na pregação.
Em consequência disto, quando o catecismo fala da disciplina da Palavra, o catecismo fala que a pregação deve ser balanceada. Isto é: Ela deve abrir ou fechar o reino dos céus. Abrir para os crentes e fechar para os incrédulos. Ambos estes elementos devem estar presentes na pregação. A pregação é, como se fosse, uma moeda com doais lados, ou como a Bíblia fala uma espada de dois gumes. A pregação é ao mesmo tempo um consolo e uma mensagem de advertência.
Devemos dizer, porém, que o elemento do consolo deve vir primeiro. A primeira chave, a pregação, primeiro abre o reino. A primeira mensagem em cada sermão é que somos justificados pela fé, em Cristo. Cristo foi crucificado pelos nossos pecados! Isto é sem duvida a disciplina da Palavra de Deus. Todo domingo somos exortados a crer nisto. O compromisso da fé deve sempre ser renovado. Todo domingo o ministro deve dizer a você: seus pecados realmente foram perdoados, e este beneficio é seu, quando acompanhado com a verdadeira fé.
Aceite e você viverá. Mas rejeite isto e você realmente já está morto. O catecismo acrescenta outro elemento. A ira de Deus e a condenação eterna estão sobre os incrédulos e hipócritas, caso eles não se arrependam. Você percebe como esta sentença é formulada? A ira de Deus não vem sobre os incrédulos e hipócritas. Não, a ira de Deus já está sobre eles, ou seja, ficará sobre eles caso não se arrependam.
Esta é a essência, o coração de toda pregação. Há duas estradas a seguir, a estrada estreita e a larga estrada. Creia em Cristo e seja salvo, rejeite-o e será condenado. Esta simples mensagem é para todos aqui. Ninguém pode fugir disto.
Agora eu sei que há mais pare ser pregado. O Senhor Jesus ele mesmo uma vez disse que os pregadores devem trazer sempre coisas velhas e novas. Qualquer tempo da pregação não é suficiente para perscrutar toda a profundidade da palavra de Deus. E a congregação deve sempre esperar material solido do pregador toda a semana. Mas o coração da questão é sempre a mesma toda semana: Cristo crucificado pelos pecadores. Creia nele e você está salvo - o reino é aberto. Rejeite-o e  você permanecerá condenado - o reino é fechado. E por que somo fracos em nós mesmos, enquanto satanás é poderoso, nós temos de ouvir esta mensagem toda semana. Diariamente nós precisamos do consolo e da admoestação do Evangelho.

Esta chave é uma ferramenta poderosa. Nós lemos em Hebreus 4 que o Evangelho, as Boas Novas, a mensagem de salvação, deve ser realmente aceita, pois de outro modo seremos deixados em uma grande condenação. A palavra sempre diz: HOJE, quando você ouve a palavra não endureça seu coração! A palavra ou vai liberar você ou vai convencer você. Pois a Palavra de Deus, que nós lemos, é... HEBREUS 4.12: “
Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.”.
Sim, a palavra de Deus atinge a profundidade do ser. Ela tanto nos dá descanso e paz com o Senhor, ou nos faz endurecer o coração. A disciplina da Palavra é poderosa e eficiente, mais que os pregadores possam imaginar e apreciar. Os ministros podem às vezes se tornar um pouco cínicos e perguntar, será que a palavra de Deus, a sua pregação tem realmente algum efeito? Mas o catecismo, ecoando a Palavra de Deus, diz: segundo este testemunho Deus julgará todos nesta vida e na futura.
Os céus estão de acordo com este testemunho publico da pregação. Muitos podem realmente ser salvos pela pregação do Evangelho. Mas muitos podem realmente ser condenados por ela. Esta chave da Palavra, esta disciplina do Espírito, pode abrir e fechar, e em todo o tempo ela deve ser usada! Ela penetra os corações e as mentes dos homens diante de Deus.
E quando há aqueles na igreja que não se deixarão serem disciplinados pela pregação da Palavra de Cristo, publicamente pregada, a elas então é apresentada a outra chave, a segunda chave, a disciplina do amor. Então passaremos para o próximo ponto.

2. A disciplina do amor de Cristo

A segunda chave, embora diferente da primeira, é muito próxima da primeira. A primeira pode ser chamada de disciplina geral, visto que todos participam dela. Já a disciplina eclesiástica é de caráter particular, é para aqueles que visivelmente endureceram seu coração contra a palavra de Cristo! Como diz o catecismo: é para todos os que com o nome de cristãos se comportam na vida e na doutrina como não cristãos.
Aqueles que não querem se submeter à Palavra de Cristo irão  encontrar a disciplina da igreja. Pois o Senhor não deixará que nenhum outro meio seja usado para ensinar os seus filhos! A disciplina cristã é uma questão do amor de Cristo.
Eu creio que devemos pensar um pouco sobre este aspecto por um momento. Freqüentemente, especialmente em nossa sociedade liberal, a qual é contra a disciplina de uma maneira geral, se vê a disciplina como uma questão de força injustificável ou pressão. A regra em nossa sociedade atual é: deixe as pessoas fazerem o que elas querem, e deixem-nas em liberdade para que não causem danos a outros.
Mas seria isto uma demonstração de amor? Se o Senhor nos permitisse ir para onde nossa vontade nos dirigisse iríamos para a destruição e perdição. Em conseqüência Cristo tem exigido de sua igreja que exercite a disciplina para demonstrar Seu amor pelo Seu povo.

Todo o ensino da Bíblia sobre disciplina é que ela é uma questão de amor. Isto deve ser verdade também em nossas relações interpessoais. O livro de Provérbios, por exemplo, diz que um pai que realmente ama seu filho, disciplina ele. A Bíblia também diz que aqueles que não disciplinam seus filhos, na verdade os odeia, e os deixa ir para a ruína. E podemos entender isto não é verdade? Crianças precisam de disciplina para andar no caminho certo. Disciplinar é lutar, não contra nossos filhos, mas pelos nossos filhos.
Eu sei que há muitos que promovem a disciplina, mas que se esquecem do amor. Eles usam um duro julgamento contra aqueles que eles consideram pecadores. Eles sempre usam medidas rígidas, mas quase nunca conseguem trazer consolo para aquele irmão ou irmã que cai em pecado. Este não é o tipo de disciplina que a Bíblia fala.
A disciplina cristã é uma questão do amor de Cristo. Ninguém que está sempre envolvido nela pode se esquecer disso. Ele deve sempre lembrar e mostrar o amor de Cristo. Mesmo quando palavras duras devam ser faladas, o amor de Cristo deve brilhar. E lembro a vocês o capitulo 3 de Apocalipse, a carta que é dirigida a igreja de Laodicéia. Podemos dizer que é uma carta muito dura onde o Senhor não poupa o seu povo. O Senhor diz: eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.
Estas são palavras muito duras. Mas ninguém em Laodicéia pode dizer que esta disciplina é injustificável, pois Cristo adiciona: aqueles que eu amo, eu reprovo e castigo. Podemos resumir: aqueles que eu amo, eu disciplino. Se Deus não tivesse tomado conta daquela igreja em Laodicéia, ele a teria deixado andar em seu caminho pecaminoso. Mas Cristo diz: eu Sou honesto, e Sou tão penetrante com esta igreja, porque eu cuido dela, eu a amo. E aqueles que eu amo eu disciplino. Disciplina é o amor de Cristo pelo pecador. Ele não procura a morte do pecador, mas quer que ele se arrependa e viva. A disciplina também é o amor de Cristo pela igreja inteira. Se o pecado é permitido, se ele não é desafiado, nem é confrontado na congregação, ele afetará todo mundo, toda a congregação. O pecado é como fermento. Um pouco deste fermento e ele afetará toda a igreja. Por causa disto a disciplina não é justa só para uma pessoa, mas para o povo inteiro.
Temos que lutar por cada um. Temos que lutar para preservar cada um nos cominhos do Senhor. Devemos mostrar o amor de Cristo. Esta necessidade é aparente também no procedimento no caminho para a disciplina. Note que o catecismo não liga a disciplina logo com os presbíteros. Ao contrário, ele fala de admoestações fraternais.
Há primeiro as admoestações mutuas entre os irmãos na igreja. Nós lutamos não um contra o outro, mas pela salvação um do outro. Se nós vemos o nosso irmão ou irmã pecando, nós não devemos fechar nossos olhos, fingindo que não vimos, nem devemos criar um espetáculo publico, com a finalidade de que todos vejam, mas devemos vir com admoestações fraternais. Vejam o que diz o catecismo: “fraternalmente advertidos”, isto significa que devemos vir com uma grande humilhação, profundo amor, e longanimidade, sabendo que você mesmo é também salvo pela graça somente.
E somente quando alguém endurece a si mesmo no pecado, fazendo com que outras pessoas fiquem envolvidas, e até a igreja fique envolvida. Então a igreja começa a lutar, não contra esta pessoa, mas por esta pessoa. Note que alguém que peca não é imediatamente jogado fora, mas o processo tem como objetivo primário salvar o pecador do caminho da morte e da ruína. A disciplina é uma questão de repetidas admoestações, de constantes ensinos, e de fortes advertências.
O processo de disciplina como está registrado neste Dia do Senhor e também no regimento da igreja, é cheio de amor e compaixão. Ele, o processo de disciplina, não fica completo em uma semana, mas pode envolver anos de exortação. Quão pacientes devemos ser com nossos filhos. Quão pacientes devemos ser realmente com nossos irmãos, então.  Você vê que o elemento da paciência está envolvido também nos três passos da disciplina. Há três passos nos quais a congregação é mobilizada, orar pelo pecador, visitar o pecador e buscar sua salvação.
E somente quando estas coisas falham em trazer arrependimento, a excomunhão é então seguida. Pois também isto é o mandamento de Cristo. Deve haver paciência e compaixão, mas a igreja deve ser resoluta e firme. Aqueles que persistem em seus pecados serão colocados para fora da comunhão da igreja e do reino dos céus. Esta excomunhão não pretende resolver o problema, pois o catecismo também fala de novamente receber tais pessoas quando elas prometem e mostram real arrependimento e amadurecimento.  Mesmo o final do processo da excomunhão visa à salvação do pecador, e a igreja continua esperando e orando pelo arrependimento dele.
Disciplina cristã é uma expressão do amor de Cristo. Por causa disto existe esta longa paciência e compaixão. Mas não deixe ninguém pensar, quando estiver sob disciplina, que: “bem, eu tenho todo o tempo do mundo”. Pois o mandamento é: hoje, se ouvirdes a Palavra, não endureçais vosso coração. Aqueles que abandonam o caminho do arrependimento, não encontram o caminho de volta. A proibição dos sacramentos, a exclusão da santa ceia, já é um sinal, pois como participarei das bodas do cordeiro, se na terra não participo da ceia do Senhor?
Somente os tolos trocam o amor pelo pecado. Mas os filhos de Deus entendem o poder do amor de Deus o qual é evidente na disciplina particular. O Espírito Santo demonstra este amor de Cristo no exercício da disciplina cristã.
E então ninguém pode depois dizer e especialmente no dia do julgamento: mas, eu nunca fui advertido. Ninguém pode exigir: eles me deixaram sem aviso de que eu estava indo para o inferno! Para aqueles membros da igreja que têm sido tratados com disciplina do Espírito Santo irão admitir: eu rejeitei o claro amor de Cristo.
Sejamos gratos irmãos que o senhor Jesus tem dado estas chaves para sua Igreja. E sejamos gratos quando elas forem devidamente usadas, e por elas terem sido devidamente usadas. Vamos responder em fé, a pregação do Evangelho, e, vamos nos admoestar particularmente na fé e na obediência exigida de nós.
AMÉM.
Pr. Clarence Stam.




[1] Dia do Senhor 31

 

P.83. O que são as chaves do reino do céu?
R. A pregação do santo evangelho e a disciplina eclesiástica. É por esses dois meios que o reino do céu se abre para os que crêem, e se fecha para os incrédulos.1 
1. Mateus 16.19; João 20. 21-23.
P.84. Como se abre e se fecha o reino do céu pela pregação do evangelho? 
R. De acordo com o mandamento de Cristo, o reino do céu se abre quando se proclama e se testifica de público a todo o crente — individual ou coletivamente — que Deus perdoou de fato a todos os seus pecados por causa dos méritos de Cristo, sempre que aceitam a promessa do evangelho com fé verdadeira. O reino do céu se fecha quando se proclama e se testifica a todo os incrédulos e hipócritas que, enquanto não se arrependerem, a ira de Deus e a condenação eterna repousam sobre eles. Segundo esse testemunho do evangelho, Deus os julgará tanto nessa quanto na vida porvir.1
1. Mateus 16.19; João 3.31-36; 20.21-23.
P.85. Como se fecha e se abre o reino do céu pela disciplina eclesiástica? 
R. De acordo com o mandamento de Cristo, aqueles que se chamam de cristãos mas que se mostram não-cristãos na doutrina ou na vida devem ser, em primeiro lugar e de modo fraternal, admoestado mais de uma vez. Se não abandonarem a seus erros nem à sua impiedade, de- vem ser denunciados à igreja, isto é aos presbíteros. Se também não derem ouvidos às admoestações deles, serão proibidos de participar dos sacramentos e excluídos da congregação cristã pelos presbíteros e do reino de Cristo pelo próprio Deus.1 Serão novamente recebidos como membros de Cristo e da igreja quando prometerem e demonstrarem arrependimento real.2 
1. Mateus 18.15-20; 1 Coríntios 5.3-5; 11-13; 2 Tessalonicenses 3.14, 15. 2. Lucas 15.20-24; 2 Coríntios 2.6-11.

[2] Hebreus

4.1   Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado.
4.2   Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram.

4.3   Nós, porém, que cremos, entramos no descanso, conforme Deus tem dito: Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Embora, certamente, as obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo.

4.4   Porque, em certo lugar, assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera.

4.5   E novamente, no mesmo lugar: Não entrarão no meu descanso.

4.6   Visto, portanto, que resta entrarem alguns nele e que, por causa da desobediência, não entraram aqueles aos quais anteriormente foram anunciadas as boas-novas,

4.7   de novo, determina certo dia, Hoje, falando por Davi, muito tempo depois, segundo antes fora declarado: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração.

4.8   Ora, se Josué lhes houvesse dado descanso, não falaria, posteriormente, a respeito de outro dia.

4.9   Portanto, resta um repouso para o povo de Deus.

4.10   Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas.

4.11   Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência.

4.12   Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.

4.13   E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.

Apocalipse
3.14   Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:

3.15   Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!

3.16   Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;

3.17   pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.

3.18   Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.

3.19   Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.

3.20   Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.

3.21   Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono.

3.22   Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.